De olhos bem fechados,
Atiro-me!
Sinto um pesar e uma tristeza eufórica.
O vento sussurra-me as viagens cósmicas
Para me perder em angústia.
Não quero mais nada.
Escondo-me debaixo dos lençóis
Afogo-me nas almofadas
Mas deito-me na cama de pregos que fui desenhando.
Refugio-me.
Sinto o sol ameno e quero chorar.
Não vou voltar.
Sinto-me tão longe daqui…
Na verdade, nem sei por onde a minha mente navega.
Será que o mar me levou?
Quero voltar àquela noite.
Senti-te tão perto, que deixei que me levasses.
Esfrego as mãos na minha cabeça.
Dói.
O cinzento do céu, chora.
Quero fazer o mesmo.
Sinto-me mais seco que o sol…
Nem um pingo de lava me corre na face.
Não sinto forças.
Cansa-me pensar e até repousar.
Não quero estar quieto.
Não quero fugir.
Onde estarei eu bem?
Quero a Natureza.
Mas também me quero deixar levar.
Um dia vou voar num disco voador
E crio o meu mundo.
Só aceitarei a paz.
Porque o amor, ficará à porta.
J - 2010

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