sábado, 29 de dezembro de 2007

Sentidos da Terra

Espaço branco no infinito

Negro devaneio no sentido.

Nevoeiro intenso de uma manhã solitária.

Frio escaldante que nos entorpece as mãos.

Energia sentida e perdida no universo

Que nos envolve duramente.



Mão pesada, arrepio tocante e lavagem mental.

De céu enegrecido, se contam os passos dados.

Chuva que cai com inércia...

Triste e friamente.

Cada pingo gelado faz sentir o cheiro.

Emadeirado e intenso.

Sentem-se agulhas na cabeça

E deixa-se adormecer pela dor.

Húmido e frio.

Sente-se a natureza a desfalecer em volta.

Vozes ocas se ouvem...

Evocando dizeres antigos.

Cada pedaço atirado,

É uma seta no coração.



Quente.

Gélido.

É o cheiro da terra que nos faz viver,

Mas que nos leva para outro Mundo.



J - 2007

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Sempre

Desfalece corroído na luta final.

A visão futura turva mas destinada.

A certeza do final ao cair do pano.

Atira a toalha que teima a não cair.

Flutua na vida o ácido.

Enternece-se com o doce sabor de dever cumprido.

Nas brumas se vê a luz de uma vela

Que não apaga.

-

Escorre uma lágrima

Sentindo o calor matinal.

Ameno.

O brilho é sentido e contido.

Entranha-se pelo corpo dorido.

-

Paz temporária

Ao som do mar imaginado.

Dor que se prolonga

Que se deixa de sentir.

Uma brisa dos infernos

Ao sabor dos céus.

A secura entranha-se na língua

O som perdido no horizonte

O branco negro de uma ida.

-

De bichos intrusos se come as entranhas de um ser

Gritos mudos e olhos brilhantes se perdem no infinito.


Adeus e até sempre.


J – 2007

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Na Brisa da Ilusão

Na brisa da ilusão,

Há o preto no branco

Que no pecado nos concede o desejo.

Que nos inflige em ardor.

Destino inabalável no incerto do futuro

Desprotegido de escolhas

Feitas na certeza da incerteza.

Falsas questões na mais verdadeira questão.

Fugido e perdido

Sensações do ser.

Incrementos de confusão na excreção de dizeres

Mártir.

Desejo, indesejo.


J - 2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Devaneios de 1 Ser

Grita lá no alto do monte,

Um homem de dor e sofrimento.

Sente falta da batida do coração que o aquecia

Naquelas noites frias...

A revolta daquele grito, contrastava com a ternura de quem via de fora.

Ninguém poderia compreender o sentimento.

Olhos esbugalhados e assustados com a falta de Amor.

Fino corte,

Profundo coração.

O sangue derrama sobre o monte...

A dor desaparece num último suspiro de Amor.

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Voando sobre o monte,

A carne morta é devorada.

A fusão entre a carne e a terra decorre lentamente.

A união de duas pessoas é imediata.

Devoram-se de amor.

E também assim vão voando.

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Ele dá a mão e ela seu coração.

Juntos do precipício olham para o céu.

Voam livremente.

Querem morrer juntos...

No entanto, para isso têm de viver uma vida inteira.

A vida é como um precipício.

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De queda livre se aparece no mundo.

Num instante se aprende a sobreviver.

De repente, se cresce.

Num ínfimo momento se ama.

De um momento para o outro se morre.

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Num papel se escreve.

Todos os dias temos um papel perante a sociedade.

Num papel se pede o mundo.

Num papel temos a nossa vida.

Num livro reunimos a nossa vida e indicamos a nossa morte.

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Chora lá no monte ainda em sangue.

Embrulhado em lençóis e água.

Liberta um choro

Corta-se o cordão da união

É assim a vida.

Liberta-se de uma pessoa e procura-se por outra que nos dê o mesmo conforto.

Sente a realidade do mundo e o frio que ele tem.

Abraça-o,

Porque nasce-se a chorar.

Vive-se a rir.

Morre-se como se nasceu.


J - 2007

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