quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Passagem do Tempo

Sinto na pele e osso,
São arrepios de quem não vê.
O frio passa pelas cestas,
E vejo pelo segredo, o que não tem.

Sigo a passo.
Não posso ter pressa do que pode vir.
Escutemos.
Vamos parar.

Apreciar um dia de viagem pelo presente.
O passado está ali atrás,
Naquelas pedras.

Olho num futuro em frente.
Não será fácil.
Mas há algo que o seja?

Quero dar passos de gigante,
Do precipício não me livro.
Quando vou cair?
O tempo dirá.
Assim como o carvão é o alimento da vida.
J - 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mudanças

Fumo. Nevoeiro. Cinza.
Tudo isto acompanha-me no dia de hoje.
Lamento olhando para os céus.

Fujo. Voo. Lanço-me.
Sorrio. Porque é a imagem que quero de mim.
Sei que tenho uma boa vida.
Não a lamento.

Gente gira. Gente boa.
Gente.
Tudo isto me passa pela mão e pelo coração.

Nego. Que ninguém me diga que fui sempre boa pessoa.
Tentei.
Falhei.
A sério que tento melhorar a cada minuto,
Mas acho que fiz por ser hipócrita.

Lambo as minhas feridas.
Também só acreditam se quiserem.

J - 2010

Desencontros

Eu ainda não cumpri com o meu desejo.
As minhas palavras, ainda não se estenderam ao céu.
Os meus olhos, ainda não te acompanham diariamente.
Fico especado neste alpendre e oiço o mar.
Gélido e sobejamente protegido pela manta,
Imagino o teu calor a cobrir-me.

O mar de frustrações em que me revejo,
É demonstrada pela tua ausência.
[Sinto falta do teu cheiro.]

Sei que os caminhos, por vezes, parecem opostos.
Mas também será isso que nos faz encontrar a meio.
Este pedaço de madeira em que me sento,
Tem a tua figura, o teu nome e o teu coração,
Gravado como se fosse uma sentença.

Isolo-me. Tenho medo de que caminhes e não me encontres.
Páro mas não porque te esqueci.
Páro porque é ti que te quero encontrar.
[Cheiro o mar, porque é parte de ti]

J - 2010


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meu Mar

Rasgo-me de preconceitos
Rasgo a vida.
Quero começar
Um dia diferente para cada dia,
E levar até ao altar,
O dia que Deus me deu.

Não sinto a fé,
Mas tenho pé,
Firme e fixo em terra,
Porque no mar me levaram
O meu amor.

Lavado em espuma.
Lavado em lágrimas.
É assim o meu passado pecador.
Levanto-me com feridas no pé
E desejo a morte pela vida que vivi.
Leva-me meu mar
Lava-me o passado.

J - 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Paragem no Tempo

Podia não dizer nada.
Podia dizer tudo.
Podia amarrar-me.
Podia voar na tua direcção.

Se me libertar, espero cair.
Se não cair é porque me amparas.

As parcas palavras que me acompanham,
Contrastam com os pulos no meu peito.

No sentimento, não há razão que substitua a acção.

J - 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sem Saída

Tudo sem pressa.
Sem pressa, porque é assim que se quer.
Viver cada passo dado como se fosse o único.
Se cair, ao menos saboreei o passo.

Rápido implica uma desconcentração mesurada.
Uma viagem alucinante sem aproveitar o espaço.
Rodeia-se de um túnel que não vê dos lados.
Vazio e cai redondo no perigo.

Lento, devagar, parar e morrer.
Também não se deseja um fim tão... Parado.
É apenas olhar por olhar.
Conhecer sempre o mesmo caminho, sem conhecer nada de novo.

Aproveito o equilíbrio da balança.
Fico indeciso porque também é preciso
Para alcançar de forma realista e sem grandes riscos.
Agora fico aqui à beira do precipício e espero-te.


J - 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Génio

Génio?
Não o sou.

Gostava que as minhas palavras mudassem o mundo.
Gostava que elas mostrassem o que realmente sinto.

Fazes-me mover e tremer.
Dás-me calor sem tocar.
Sufocas-me nos beijos que imagino
Não quero respirar para me deliciar.

Sinto um aperto na barriga.
Borboletas a esvoaçar num espaço reduzido.
Neste momento tenho o coração do tamanho do mundo.

Apaixonado?
Talvez.
Perto de génio então.
Do que vale criar,
Se não houver emoção.

J - 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Luta

Vou escalar.
Atirar-me de cabeça depois do topo
Levitar-me nos objectivos conseguidos
E mostrar que o sonho vale pela força que tem.

Quero ser sonhador
Inspirador.
Soletrar cada palavra com gosto pela vida
E lutar pelo que é meu.
Pelo que pode ser nosso.

Respirar, inalar e talvez lisonjear a Natureza
Vaguear, procurar e mergulhar no mar de flores.
Sorrir e abrir braços em direcção ao horizonte.
Reconhecer, falar e escutar.

Sei que estás aí.
As armas já estão entregues
Resta batalhar e usar no caminho da paz.

Dá-me a tua mão e espalha a outra.
Outras pessoas corresponderão.
O segredo da união
É o valor de quem te dá a mão.

J - 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Verdade

O doce sabor enche-me o paladar.
Os teus lábios que me passeiam
São encantos desta antiga floresta.

Oiço o teu falar lá no alto
Sinto-me sem pé perto do abismo rochoso.
Vou-te sentido aos poucos
E os meus devaneios surgem a galopar.

Sinto os pés nesta areia
Que outrora foi rocha e fortaleza desta terra.

Perco-me em pensamentos
Do passado que ainda não findou
E que abraço como plano de vida.

Sei lá eu o que o tempo me reserva,
Mas sei que vivendo,
Um dia te conquisto pela verdade que perdura no tempo.

J - 2010


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Voar

Sento-me porque tem de ser
Sento-me porque convém
Sento-me porque é mais correcto
Hoje sento-me porque quero.

Sento-me onde ninguém quer
[cheira mal]
Sento-me junto de criaturas que gosto.
Mal vistas pelas pessoas que as tornam sujas.

Sento-me junto a um cadáver deles.
Vejo a tristeza dos companheiros
O som do barco que chega não os afasta.
Permanecem imóveis e cinzentos como o céu.

Mesmo no meio desta sujeira,
Vejo o carinho.
Pombos que se encostam e limpam as penas um do outro.
Hoje haverá menos um no céu, porque ficou por terra.

Isso faz-me lembrar que é no céu,
Que se encontra a vida.

J - 2010


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Revolta

Por vezes quero ser uma pedra da calçada.
Aquela típica e comum dos grandes bairros.
Quero ser um balão de ar quente,
Associados a paisagens belas em espaços verdes.
Voar suavemente e em liberdade total.
Quero ser a lua que acompanha as pessoas
E se renova temporariamente na limpeza da aura.

Quero ser revolta!
Quero ser fogo e limpar o que nos apoquenta.
Decidem o destino de ânimo leve
De um país com história e valores,
Que apenas aparecem nos maus momentos.
Há que ser os velhos do Restelo
Mas de mente aberta
Mostrando capacidades de inovação.

Temos que lutar e governar o que está desgovernado.
Não temos de combater a desigualdade,
Mas começar por combater quem a cria.
Unidos,
Venha quem vier,
A maioria toma a decisão.

J - 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desconhecido

Delicio-me no teu abraço
Na tua companhia de lua crescente.
Quero-te nua!

Transporto no meu peito o destino.
A transparência, daquilo que não vês.
Abro os olhos que não queres abrir
Encaminho-te.
Silencio-me para que sintas que estou contigo.

Arranco ferros que me tiraram do peito
Amarras de navegador que o ligam ao mar.
Que a bússola de sentimento
Seja a sagrada luz que não se vê.

Se da escuridão surgir,
Levanto os meus demónios.
Parto e não volto.
Sem olhar para trás
Vejo em ti o futuro.

J - 2010


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vale do Sonho

Sinto cansaço.
Quero estar num vale verde
Rebolar e deixar-me estar.
As cores vão sendo assimiladas
E vou sentir a paz.

Navego nos meus sonhos de luz
Em destino improvável.
A tinta circula em torno das folhas
Que já estão escritas pelo passado.

Quando retorno,
A realidade dura, demonstra outra paixão.
A verdade seca e ardente
Queima os sonhos de folhas que voam sem destino.

Não quero acordar.

Quero viver.

Independentemente do que a vida pode dar
O presente de todos os dias,
É a marca que nos vai alterando.

Refaço mais uma vez a minha tábua.
Mudarei sempre
Ao ver o mar a estagnar.

Já acordei.

Voltei à vida.

Se me sinto diferente?
Não.
Mas é do sonho que nasceu de novo o querer.

J - 2010


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Portas

Passeio em cima de uma corda.
Caio e levanto-me frequentemente.
Ligeiramente me vou escapando ao destino
E batalho-me constantemente.

Nem que o meu jardim fosse um esgoto,
Deixaria de plantar flores como tu.
Lambo selos que te levam
E devolve sorrisos no mar.

Visito locais que nunca vi
A agradável imaginação,
Leva-me a ti.

Não desisto de procurar na casa dos horrores,
O poço negro que contém a preciosa ponte.
Uni-me outrora,
Em aventuras do destino.

Fecho as portas.
Mas nem a maior de todas,
Tem tamanho para me acolher.

J - 2010


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Espera

Oiço o mar de sangue
Vai e vem.
Bate na rocha e no barco naufragado.
O céu negro silencia o ambiente,
A lua em bico atravessa e despedaça.

As músicas melancólicas,
Acompanham lençóis suados
E recordam o passado.
Apenas uma luz me alenta as mãos
Mas fecho os olhos para te sentir a tocar.

O sorriso apenas passou por mim,
Não se transformou num lago.
Olho o reflexo e vejo-me sozinho.
Abro os braços
O sangue pisado é o castigo merecido.

Danço sozinho.
Bailo à beira do precipício
De olhos bem fechados.
Oiço as pedras no sentido do Amor
Despedaçadas na frieza.

Sento-me no sangue.
Espero pela voz
Pelo toque.
Pelas asas envoltas numa espada
E a estrela que não se apagou.

J - 2010


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Passo

Bestas e demónios que hoje acordam
Acompanham-me na caminhada diária.
A dor podre já a sinto
É prolongada e fétida
Numa obtusa maneira de ser.

Do sol sinto a pele a arder
Come-me a carne
Entranha-se e seca-me os pulmões.
Respiro a toxicidade
E sinto-me envolto na poeira humana.

Abri o meu peito
E respeito a ferocidade.
Lentamente corro com os dedos pelo corpo
Aponto ao céu
E mostro que o caminho é indiferente.

Passo e passo.
Passo a passo.
Passo ou passo?
Caminho, é o que importa.
Coxeando ou correndo eu vou sempre em frente.

O coração que se ajeita em sons de harmonia,
Esquece a razão de quem lhe toca.
Fecho os olhos.
Ceguei.
Oiço a música que amo a dançar pela tua mão.

J - 2010


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fogo

Destes campos amarelos e negros
Surgem laivos verdes com a marca das tuas pegadas.
Da fonte seca,
Fugiu a tua saliva que nasce na serra.
Deito-me no chão
Olho o céu cinzento que brilha para cima.

Da terra apenas sinto o silêncio
E sinto o sabor da vida.
Tu nasces das flores que encantas
Suas cores são minhas bochechas
Ruborizam com a tua aura emanada.
Em campos que renascem
A vida é tua.

Quero-te colher
E recolho-me.
Atravesso o deserto ao não te ver
Poderás ser oásis que não quero reconhecer.
Cabelos de fogo que me ardem no peito
E o sorriso esse benfeitor,
Sugador de alma e delator.

J - 2010


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Impacto

Quero atirar este copo de cristal ao mar
Ser levado sem destino.
As vozes longínquas são abafadas
Travadas pelo pensamento.

Olho para o sol.

Tudo parece difícil.
Vou abalar e não mostrar fraqueza
Quero silenciar-me
O impossível afinal não é linear.

Quero esperar.

A delicadeza parece que apareceu.
Não fui capaz de combater tamanha arma
Quis tomar o belicismo defensivo
É prioridade assente.

O teu sorriso matou-me.

J - 2010


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fada

Tocaste num ponto.
O teu sorriso levou-me a ver que tudo é perfeito.
Quero pegar-te.
Levar-te.

Penso em ruas largas e iluminadas
Penso em chuva
Carícias leves, entre sorrisos e olhares puros.
Quero aplaudir-te na rua
No teu movimento de borboleta
Parar no mundo e o tempo é só para ti.

As luzes acompanham o teu brilho.
Os teus lábios finos que se abrem para mim
Tocam no meu estômago
Arrepia.
Faz-me suspirar.

A chuva corre pela face.
Mantenho-me no meio da rua
Imagino-te mesmo que não estejas.
Espero-te até voltares
Fecho os olhos e danço
Liberto as mariposas que vão saindo.

Abraço-me.

J - 2010


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Razão

Atingir a solidez entre duas almas
Deve ser das tarefas mais árduas.
Não se deve procurar tamanha façanha
Mesmo que não se acredite em Destino
Não podemos voltar as costas ao futuro.
Podemos e devemos pegar na mochila
E partir!

Há sonhos a realizar
Metas por atingir.
É possível sozinho e não vale a pena fingir.
Transforma-se a farinha em pão
E a vida pode-se transformar em mais vida.
O Amor é para os tolos!

Não me posso esquecer de me formar.
Mas depois,
Quero ser o maior tolo de todos.

J - 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Destino

Agulhas que me cosem o lombo
Perfila-me o destino mal traçado.
O arrepio que me provoca a insensibilidade
É a dúbia existência para um companheiro.

Evoco a Natureza até mim.
Apetece-me sentir, degustar, cheirar, ouvir e ver.
Tento entrar na mais pequena partícula,
Imaginar a complexidade no grão mais pequeno.
A dimensão não nos demonstra nada.

As mais pequenas coisas,
Os pequenos gestos,
Podem demonstrar toda a força da Natureza.
Da semente origina-se a vida.
De um abraço geram-se sentimentos.

Um dia vou à aventura.
Quero entrar em sonhos reais
E ver o que o mundo tão gigantesco tem para me dar.
Procuro numa distância curta
As respostas mais precisas.
Mas não procuro o que não pode ser encontrado.

J - 2010

Alucinação

Pego na rosa pelo espinho.
À velocidade diabólica emprenha-se no meu sangue
Sinto um frio arrepiante
E o veneno enegrece-me os dedos.

Provo do copo e acabo por beber do jarro.
Devora-me.
Quero sentir o teu corpo no meu.
Une-te comigo pelos sabores que já não sinto.

Vejo que toda a doçura, é o doce pecado.
Mas não me importo de pecar contigo.
Sentir o teu cheiro de rosa e amoras silvestres,
Espetar os meus dedos em dentes de cobra
Quero sentir-me alucinado pela tua droga.

Sentirei os teus fantasmas nos meus ossos.
O calor será inconfundível.
Ele é tão teu…
Abro os meus braços,
Respiro fundo.

Mergulho nos meus sonos mais profundos
E deixo-me levar pelo remoinho…
Se deste turbilhão eu sair,
Será a ti que te vou beijar.
Porque neste tempo todo,
O que mudou, foi a força que se ganhou.

J - 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Medo

Segura-me a mão.
Aperta-a com força!
Sinto um buraco no peito e me engole.
Turbilhão de respeito
As nuvens que me consomem.

O Sol fugiu.

Não entendo.

Sinto-me vazio...
Um barco sem velas ou motor.
Quero voar num mar obscuro e apenas me reservar.
Sinto o Inverno a entrar-me nas veias.
Arrepia-me o sentimento de saudade
E de um longo pesar que me acompanha.

As lágrimas saem… Escorrem…
Mas não lavam a face.
Sinto-me deambulante
Estou a enjoar de um jogo sem fim.
Salta-me o estômago e percebo que me perdi.

Não quero o medo de quem naufragou,
Mas sim a coragem da vida que não se apaga.

Atiro.

Parto.

Revolto-me com um grito
E oiço o silêncio.
Levanto-me do divã.
Saio pela porta que me matou.

J - 2010


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Apego

Desejo calar-me.
Não quero referir o meu sentimento.
Afogo-te nas minhas palavras constantemente
E apesar de saberes que não é por maldade,
Tendes a afastar-te.

Sem os contornos da tua silhueta
As minhas mãos são vazias.
Não são mãos de semear.
Recordo-me todos os instantes.
Agradáveis vibrações de um tempo que já passou.

Quero voltar à permissão de um olhar.
Talvez de um beijo.
Quero voltar a reconhecer o teu corpo
Sentir o fogo flamejante a circular no meu sangue.
Estou sedento.

Quero sorver a saliva que troco com carícia.
Fantasia.
Libertas-me de todos os preconceitos.
Fazes-me pensar no que é o amor.
Mesmo que isto não o seja,
É a ti que me estou a apegar.

J - 2010


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mutação

De que sonhos saí eu?
Sinto o aleatório sentimento de quem me ama.
Não quero uma postura desconcertante
Sem que sinta o equilíbrio.
Quero viver e ser vivido.
Não quero morrer esquecido
Mas também não quero esquecer de morrer.

Sinto diferenças a abundarem em mim.
O pecado apoderou-se da fragilidade.
Levianamente pereço sem sentido.
Vou esmorecendo como carne fétida.

Como um diabo no corpo.

Do erro quero fazer certezas
E chegar à minha torre de Babel
O marfim que não seja manchado pelo sangue.

Mudei.
Se não for para melhor,
Que seja ao menos para me agradar.

J - 2010


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sabor da Cor

Já não sei o que sonho.
Não sei o que sonhar.
Os sabores estão misturados
E da amargura apareceu o doce sabor.

Vejo ao longe o doce sabor de que sou desencaminhado
Mas sou mais sincero aos meus verdadeiros sentimentos.
Se a minha tiver como sabor, o amargo,
Que seja!
Sem problemas encaro esse sabor.

A importância que se dá às coisas,
É o que nos envolve.
Tirarei o maior proveito se for teu sabor
Me asperiza o céu-da-boca e me envolve na língua.

Já não me importa o que sonho.
A expectativa tornou-se inimiga,
Rodeia-me da forma errada
E eleva-me do chão,
Levando-me em viagens que me iludem
Como se vestisse as asas de um anjo.

Não tornarei negro.
A cor dará o sabor
Mostrar-me-á um caminho sem retorno.
Vou em frente e só pararei,
Para ver a cor a surgir no céu
Como a alegria do meu olhar.

J - 2010


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sinais

Onde estão os símbolos?
E as imagens que nos fazem guiar e acreditar?
Parece que no mundo actual,
Perdemo-nos em antiguidades que fingimos não ver.

Tento reorganizar-me.
Sou como um símbolo sacrificado
E alterado pelos sabores do tempo.
A minha identidade é moldável
Consoante o tempo em que cresci.

As vidas vão passando e os sinais mutam-se.
Segredos que deixam de o ser.
Histórias imaginárias que nos desiludem.
Assim talvez seja a condição do Amor.
Com a idade,
Também muda em caminhos que não são reconhecidos.

Cresci.
Mas vale a pena mudar o que nos agrada?
Será que o sonho é apenas deixar a inocência
E libertar para voos que nos fazem cair?

Recordo-me apenas,
“O Amor é para os fracos”.
Riposto.
O Amor sentido, é a visualização para as mudanças do futuro.

J - 2010


terça-feira, 13 de julho de 2010

Fuga Imaginária

Preciso de espaço.
Sinto o sufoco a apertar-me.
O lobo enjaulado crispa-se às tentativas de aproximação.
Quero caminhar lentamente,
A um ritmo ligeiro e sem definições.

Alheio a futuras procuras,
Estão a sujar-me num desejo que não desejo.
Falta-me o ar num cubo gelado
Atiram-me para um precipício
E não retorno até me desligar.

O sentido deixa de fazer sentido
E eclipso-me de ideias revigorantes.
A apatia aperta-me.
Algema-me numa árvore perdida na floresta negra.
O sabor desvanece…

Não luto na luta que é perdida pela força.
Preciso de espaço.
Magoa a mágoa de outrem
Mas sem respirar,
O vazio contorna-me as linhas do passado.

Não fujo.
Vou-me apenas embora até não voltares.

J - 2010



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eutanásia

Não fugirei da decisão.
Sei bem que o sofrimento é pior.
Os gritos ainda me perseguem no pensamento
E não desanuvio a olhar para o mar.
Aliás, ainda nem consegui olhar.

Tudo à volta parece morto.
Tão morto como tu, naquela mesa fria.
Sei que foste dormir.
Senti o coração a abrandar até parar de vez.

No caminho que percorreste,
Deixaste pedras que são base do que sou.
Fidelidade, carinho, afecto e lealdade.
É tudo o que levas contigo mas também fica.

Fostes…
Abraçado pela pessoa que mais te protegeu
E pelo meu amor também.
Poderão indicar que é só um bicho,
Mas reagia mais humanamente que algumas pessoas.

Triste.
Tomei a decisão que nem Deus tem direito a tomar.
Se assim fosse, o que é bom, não ia embora.
Embalo-te pela última vez
E o beijo por ali ficou.

J - 2010


terça-feira, 29 de junho de 2010

Pisadas

Gostava de seguir as pisadas de alguém.
Seria saber e conhecer o chão que se pisa.
Poderia terminar o que ninguém acabou
Mas, a vida teria um sabor já feito.

Gosto de sentir o novo aroma
E deixar-me levar pelos meus gostos.
Não quero mais arrepender-me pelo que não fiz.
Atirarei pedras ao lago,

Se nenhuma voltar, é porque a gravidade não o quis.
Poderia sinalizar as pedras todas,
Mas já não teriam o encanto de quando as vi.
Mudaria o impacto e o rumo do planeta.

Os meus passos serão dados a olhar para a frente.
Não importa o que está no chão.
Se o destino for construtivo,
Utilizarei o pó para fazer o meu cimento.

Vou erguer e espalhar o poder da palavra.
Um dia chegará ao teu coração
E talvez noutros planetas distantes,
Uma flor nascerá na escuridão da tua luz.

J - 2010


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sonho

Sonho um dia ver-te numa tarde de Primavera.
Sorrindo aos céus e mostrando o encanto.
Os pássaros rodeiam-te em plena alegria
E as flores esplendorosas reluzem todo o teu brilho.

Sonho um dia ver-te numa manhã de Verão.
Mostrar cada centímetro do teu corpo
Sentir o cheiro do mar enquanto respiro o teu perfume.
Ficar sem jeito e fintar o desejo, beijando-te as mãos.

Sonho um dia ver-te num crepúsculo de Outono.
Ver o sol que baixa e te doura as sardas.
Que mostra o teu real olhar em tons quentes
E que te ruiva o cabelo como as folhas que vão caindo.

Sonho um dia ver-te numa noite de Inverno.
Observar a lua cheia a reflectir no mar.
Afagar o teu corpo e sentir o contraste com o calor.
Fechar os olhos e sentir-te a rodear-me com os teus braços.

Sonho. Porque tenho esperança de te ver sorrir.
Sonho. Porque tenho esperança de te ver feliz.
Sonho. Porque será o teu sonho a guiar-te para a tua cura.

J - 2010


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Decisões

Transformo o rio num sorriso.
Naquele conforto que fica estagnado
E com a beleza que o passado transforma.
Posso fugir em qualquer direcção.
Subir à montanha gélida
Ou nadar até um mar em crise.
Prefiro parar.
Não para estagnar,
Mas para observar cada centímetro de piso firme,
Para escutar o tempo que for preciso
E ouvir a resposta que vem da alma.
Vou ao fundo várias vezes.
Pesco ideias que a água lava a cabeça.
O desejo é efémero mas preenche páginas brancas e rotas.
Ajudarão de certo em plenas batalhas,
Para a conquista, mesmo sem retorno.
A decisão terá sempre o mesmo peso.

Talvez venha a subir e atirar-me em queda livre.
Quero cair no mar
Mas vivendo o gozo da vida.
Do mar não retornarei,
Mas as memórias não apagam,
Se do meu jeito,
Apregoar que te vi.

J - 2010


terça-feira, 22 de junho de 2010

Passos Soltos

Saudades das tuas ancas firmes.
Parece que foi ontem.
Talvez até tenha sido ontem,
Mas o pesar da saudade vem do saber,
Que pouco ou nada voltarei a tocar do teu maravilhoso corpo.

Vou querer renegar esta saudade.
Tentarei decidir pelo teu melhor mas,
Também pelo que agora a minha cabeça o diz.
A dor pouco importa.
O que daí vier, apenas será experiência de vida.

O sorriso vale por tudo,
Encanta e encosta qualquer obstáculo ao fundo.
Todas as palavras que direi nesta fase,
Serão soltas.

Podem ter significado ou não
Razões e talvez obsessões de quem veleja sem vento.
Perfuro a terra sem me esconder,
Apenas vou procurando um tesouro,
Que aparecerá na superfície.

J - 2010


Casulo

Vou-me silenciar.
As batidas jamais voltarão a ser iguais.
A ternura torna-se fria
E volto ao desejo de ser criança.
Vou querer deixar de ver.
Não é o mesmo, saber que vimos o paraíso,
E não podermos voltar a ver.

Reacção infantil para protecção do meu ser.
Daquilo que sempre fui visto.
Volto para junto do mar,
Peço novamente ajuda,
Mas não sei até quando ele me vai poder ajudar.
O ser ar materno, não vai poder durar para sempre.

Recosto-me na tua calma.
Sei que as facas que me trespassam,
Virão de todos os caminhos.
Talvez deseje demasiado, coisas que me levam a lado algum.
Só quero um pouco de paz.

Vou procurando sem encontrar
E quando não procurar mais,
Acho que já não sei regressar.
Sumiço.
Pretendo fugir em asas comandadas pelas minhas mãos,
Ouvir a música que me explora o peito.

Marco o meu peito com o vento,
Deambula pelos céus que um dia me irão levar
E as almas moribundas renegam com gritos,
O meu tesouro não encontrado.

J - 2010


Razões de Vida

Que acção posso ter?
Sou apenas mais um,
Neste mundo das oportunidades.
A imaginação nunca pode ter fim
E mesmo o simples,
Pode transformar o sucesso.
Eu não procuro o pódio, eu não procuro o altar.
Procuro-te apenas.
Quero sentir a paz espiritual
Cada vez que me olho ao espelho.
Não reconheço o traço que atravessa a visão.

Servirei num amargo vinho,
Um veneno que me come as entranhas.
Saboreio aquilo que parece a vitória na derrota da pequenez humana.
Levemente vou desejando.
Vou permitindo à minha mente,
A transformação real do meu peito,
Que apenas será um cérebro.

Movo-me entre rios de pensamento,
Sons do céu,
Encantos de sereia
E o fundo do mar, que me vai guardando e protegendo o meu icebergue interior.
Oculta-me a face e o olhar que tendem a atacar na fragilidade.
Contudo, o caminho apenas tem um sentido.
Independentemente da sua realização,
Será sempre em frente.
Olho para trás.
Uma montanha está ultrapassada,
Agora resta chegar a outra.

J - 2010


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Visões

Desafio-me a uma constante batalha e rendição.
Já não sei muito bem o que aceitar,
Baixo os braços do que não devo
E luto constantemente em injustiça.

O sol tórrido que me queima os ossos,
Transforma-se em desejo.
Amputo o meu desejo só porque vi uma luz,
Um suspiro, uma impossibilidade praticamente tangível.

Isolo-me num espaço de natureza.
Oiço sons de todas as espécies e um ruído da tecnologia absurda.
Transformo os ruídos parasitas em medo de retorno
E apenas me quero deixar rodear por animais da pior espécie.

Deixo-me tocar pela água, como o manto cristalino hidratante.
Como sinal da vida em que estou envolto.
Sinto saudades dos teus beijos,
Da tua saliva que me lava de pecados
E me transforma numa pessoa de orgulho,
Bafejando-me uma inocência que só tu conheces.

Vou-me sentido desconcertado na tua ausência.
Talvez seja um sinal do destino,
Transformando a distância em saudade.
Vou sorrindo neste pleno dia,
Sei que estás aí.

O sol que me toca, também te toca
E ficarei para sempre a sentir-te.
No peito, nas mãos e na visão que te procura.
O brilho que reflecte no mar é a tua imagem no meu coração.

J - 2010


Sedento

Em traços de devaneios
Percorro praias sem fim.
Sem qualquer vida.

Vagueio em direcção que termina a linha
No sol abrasador que me arde nos ombros,
Gigantes desafiam-me em batalhas
Na tentativa fugaz de perder a timidez.

Quero realmente sorrir e mostrar um pouco da luz.
Radiar calor tão quente como o sol
E suar em pequenas partidas que se desejam.
Poderá ser ligeiro e leviano…
Mas alimenta.

Serve em direcção às reais conquistas
Que se encaminham para o futuro.
Sementes de saco vazio,
Espalham-se num corpo vermelho que não se entende.
São dúvidas e receios intelectuais,
Do que apenas pode ser vivido, vivendo.

É como a facada no silêncio,
Em que a peça ficará toda alterada
Num fim de deserto.
São apenas palavras.
Faltam as acções e o real sentido,
Os que permitem não duvidar das capacidades humanas.
Salivo, lambo…
Mergulho no mar, para te conquistar.

J - 2010


terça-feira, 8 de junho de 2010

Recusa

Recuso-me a admitir o que vejo ao espelho.
Está diante dos meus olhos e não olho para o fundo.
Eles são poços de momento,
Elevam as águas do passado e transborda o que aí virá.

Rastejo-me pela areia deserta
Remexo em conchas mortas que outrora protegeram alguém.
Vem à viva memória,
Momentos que foram doces e que estão guardados
Denucio-me ao mar e peço ajuda pela minha fraqueza, de ser humano.

Desfaço o meu peito,
Esfrego-o com lâminas frias que entranham o doce sabor do sangue.
Do quarto vejo o céu, vejo o mar e vejo-te a ti por uma janela pequena.
Olho pela janela porque é daí que vejo um mundo,
Cheio de possibilidades e desencontros, na doce vida que já não resta.

Sei bem que o saber, não é tão linear como vida,
Mas a vida é para ser saboreada ao sabor do vento.
Apenas sinto o calor, o frio...
Não oiço a voz que espalha pelo mundo,
E que me faz acordar com o sorriso, que me prende o olhar ao céu.

Resguardo-me.
Faço uma pequena vénia ao mundo
E deixo-o entrar.
De momento, não sou eu que tenho de entrar nele.

J - 2010


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Castigo

Cravem-me bem no fundo do coração,
Uma estaca sedenta de sangue.
Provoquem-me a ida num segundo ao meu passado.
Quero ver-me enquanto uma larva peçonhenta
Que entra neste mundo de loucos
E cravando as presas sem desejar a vida.

O rumo vai aparecendo todos os dias
Mas, não quero mais a surpresa do dia-a-dia.
Talvez queira, enquanto te mordo
E chupo-te o veneno que tens dentro de ti.
Quero lavar-te a alma.
Quero que a chuva leve tudo o que é de mau
Para que possamos respirar e suar lado a lado.
Desejo-te. Tanto como a minha vida.

O negro que me acompanha,
É como a solidão que me acompanha também.
Receio não saber viver de outro modo
E ainda assim, não quero saber qual o melhor modo de viver.
Acosso o que o meu coração me diz.
Tenho medo de não saber medir as palavras,
Tenho medo que torne a minha vida num inferno...
O mundo é pequeno,
Mas também já não sei ver o que há nele.

O tratamento que tenho
Talvez o mereça assim.
Errei e pequei.
Pagarei de todas as formas e o que mais desejo,

[aquele coração pleno de carinho]

Jamais terá direito ao que persegue.
-
Pego na chave e rodo-a.
Fecho-me mais uma vez no baú,
Que tão bem conheço e beberei o meu próprio sangue,
Ácido e fétido, como pagamento dos meus pesadelos.

J - 2010


class="gl_align_center"
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.