quarta-feira, 26 de maio de 2010

Castigo

Cravem-me bem no fundo do coração,
Uma estaca sedenta de sangue.
Provoquem-me a ida num segundo ao meu passado.
Quero ver-me enquanto uma larva peçonhenta
Que entra neste mundo de loucos
E cravando as presas sem desejar a vida.

O rumo vai aparecendo todos os dias
Mas, não quero mais a surpresa do dia-a-dia.
Talvez queira, enquanto te mordo
E chupo-te o veneno que tens dentro de ti.
Quero lavar-te a alma.
Quero que a chuva leve tudo o que é de mau
Para que possamos respirar e suar lado a lado.
Desejo-te. Tanto como a minha vida.

O negro que me acompanha,
É como a solidão que me acompanha também.
Receio não saber viver de outro modo
E ainda assim, não quero saber qual o melhor modo de viver.
Acosso o que o meu coração me diz.
Tenho medo de não saber medir as palavras,
Tenho medo que torne a minha vida num inferno...
O mundo é pequeno,
Mas também já não sei ver o que há nele.

O tratamento que tenho
Talvez o mereça assim.
Errei e pequei.
Pagarei de todas as formas e o que mais desejo,

[aquele coração pleno de carinho]

Jamais terá direito ao que persegue.
-
Pego na chave e rodo-a.
Fecho-me mais uma vez no baú,
Que tão bem conheço e beberei o meu próprio sangue,
Ácido e fétido, como pagamento dos meus pesadelos.

J - 2010


class="gl_align_center"

Sem comentários:

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.