quinta-feira, 6 de maio de 2010

Casa

Deixo-me ser agraciado pelos picos das rosas,
São muros que me envolvem e me protegem de um mundo falso.
Sou transparente,
Mas por vezes feito de um vidro opaco,
Que não mostra o brilho da luz.

Tenho correntes que me prendem pelos pés.
O peso que carrego, são situações que acarreto com naturalidade,
Não fora o triste pesar que acopla,
Como uma viúva-negra ao seu parceiro.
O veneno invade-me as veias.
É psicológico. É negro. É sufocante.

Estou encurralado entre paredes que gritam,
Que inspiram revolta, ganância e submissão.
A pele está negra. É um ar pesado que se transforma.
Toda a poluição está presente num pequeno espaço.

Receio que a vida está por um fio.
Todo o fumo que me envolve,
Tapa-me os olhos da atitude mais fiel.
Quero fugir, quero nadar, quero voar…
Quero andar sem dores do meu pesar.

Sem uma estrela que me guie, sinto-me perdido.
Piso a areia mole e relembro doces momentos.
Voltando a ser criança, o mundo gira.
Estarei a girar até ficar tonto pelas acções.

Voltarei noite e dia ao lugar, que um dia me fez sentir protegido.
Quero os teus braços de volta.
Envolve-me. Abraça-me.
Neste momento só me sinto em casa,
No calor dos teus braços.

J - 2010


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