segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mudanças

Fumo. Nevoeiro. Cinza.
Tudo isto acompanha-me no dia de hoje.
Lamento olhando para os céus.

Fujo. Voo. Lanço-me.
Sorrio. Porque é a imagem que quero de mim.
Sei que tenho uma boa vida.
Não a lamento.

Gente gira. Gente boa.
Gente.
Tudo isto me passa pela mão e pelo coração.

Nego. Que ninguém me diga que fui sempre boa pessoa.
Tentei.
Falhei.
A sério que tento melhorar a cada minuto,
Mas acho que fiz por ser hipócrita.

Lambo as minhas feridas.
Também só acreditam se quiserem.

J - 2010

Desencontros

Eu ainda não cumpri com o meu desejo.
As minhas palavras, ainda não se estenderam ao céu.
Os meus olhos, ainda não te acompanham diariamente.
Fico especado neste alpendre e oiço o mar.
Gélido e sobejamente protegido pela manta,
Imagino o teu calor a cobrir-me.

O mar de frustrações em que me revejo,
É demonstrada pela tua ausência.
[Sinto falta do teu cheiro.]

Sei que os caminhos, por vezes, parecem opostos.
Mas também será isso que nos faz encontrar a meio.
Este pedaço de madeira em que me sento,
Tem a tua figura, o teu nome e o teu coração,
Gravado como se fosse uma sentença.

Isolo-me. Tenho medo de que caminhes e não me encontres.
Páro mas não porque te esqueci.
Páro porque é ti que te quero encontrar.
[Cheiro o mar, porque é parte de ti]

J - 2010


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meu Mar

Rasgo-me de preconceitos
Rasgo a vida.
Quero começar
Um dia diferente para cada dia,
E levar até ao altar,
O dia que Deus me deu.

Não sinto a fé,
Mas tenho pé,
Firme e fixo em terra,
Porque no mar me levaram
O meu amor.

Lavado em espuma.
Lavado em lágrimas.
É assim o meu passado pecador.
Levanto-me com feridas no pé
E desejo a morte pela vida que vivi.
Leva-me meu mar
Lava-me o passado.

J - 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Paragem no Tempo

Podia não dizer nada.
Podia dizer tudo.
Podia amarrar-me.
Podia voar na tua direcção.

Se me libertar, espero cair.
Se não cair é porque me amparas.

As parcas palavras que me acompanham,
Contrastam com os pulos no meu peito.

No sentimento, não há razão que substitua a acção.

J - 2010
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