quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Revolta

Por vezes quero ser uma pedra da calçada.
Aquela típica e comum dos grandes bairros.
Quero ser um balão de ar quente,
Associados a paisagens belas em espaços verdes.
Voar suavemente e em liberdade total.
Quero ser a lua que acompanha as pessoas
E se renova temporariamente na limpeza da aura.

Quero ser revolta!
Quero ser fogo e limpar o que nos apoquenta.
Decidem o destino de ânimo leve
De um país com história e valores,
Que apenas aparecem nos maus momentos.
Há que ser os velhos do Restelo
Mas de mente aberta
Mostrando capacidades de inovação.

Temos que lutar e governar o que está desgovernado.
Não temos de combater a desigualdade,
Mas começar por combater quem a cria.
Unidos,
Venha quem vier,
A maioria toma a decisão.

J - 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Desconhecido

Delicio-me no teu abraço
Na tua companhia de lua crescente.
Quero-te nua!

Transporto no meu peito o destino.
A transparência, daquilo que não vês.
Abro os olhos que não queres abrir
Encaminho-te.
Silencio-me para que sintas que estou contigo.

Arranco ferros que me tiraram do peito
Amarras de navegador que o ligam ao mar.
Que a bússola de sentimento
Seja a sagrada luz que não se vê.

Se da escuridão surgir,
Levanto os meus demónios.
Parto e não volto.
Sem olhar para trás
Vejo em ti o futuro.

J - 2010


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vale do Sonho

Sinto cansaço.
Quero estar num vale verde
Rebolar e deixar-me estar.
As cores vão sendo assimiladas
E vou sentir a paz.

Navego nos meus sonhos de luz
Em destino improvável.
A tinta circula em torno das folhas
Que já estão escritas pelo passado.

Quando retorno,
A realidade dura, demonstra outra paixão.
A verdade seca e ardente
Queima os sonhos de folhas que voam sem destino.

Não quero acordar.

Quero viver.

Independentemente do que a vida pode dar
O presente de todos os dias,
É a marca que nos vai alterando.

Refaço mais uma vez a minha tábua.
Mudarei sempre
Ao ver o mar a estagnar.

Já acordei.

Voltei à vida.

Se me sinto diferente?
Não.
Mas é do sonho que nasceu de novo o querer.

J - 2010


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Portas

Passeio em cima de uma corda.
Caio e levanto-me frequentemente.
Ligeiramente me vou escapando ao destino
E batalho-me constantemente.

Nem que o meu jardim fosse um esgoto,
Deixaria de plantar flores como tu.
Lambo selos que te levam
E devolve sorrisos no mar.

Visito locais que nunca vi
A agradável imaginação,
Leva-me a ti.

Não desisto de procurar na casa dos horrores,
O poço negro que contém a preciosa ponte.
Uni-me outrora,
Em aventuras do destino.

Fecho as portas.
Mas nem a maior de todas,
Tem tamanho para me acolher.

J - 2010


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Espera

Oiço o mar de sangue
Vai e vem.
Bate na rocha e no barco naufragado.
O céu negro silencia o ambiente,
A lua em bico atravessa e despedaça.

As músicas melancólicas,
Acompanham lençóis suados
E recordam o passado.
Apenas uma luz me alenta as mãos
Mas fecho os olhos para te sentir a tocar.

O sorriso apenas passou por mim,
Não se transformou num lago.
Olho o reflexo e vejo-me sozinho.
Abro os braços
O sangue pisado é o castigo merecido.

Danço sozinho.
Bailo à beira do precipício
De olhos bem fechados.
Oiço as pedras no sentido do Amor
Despedaçadas na frieza.

Sento-me no sangue.
Espero pela voz
Pelo toque.
Pelas asas envoltas numa espada
E a estrela que não se apagou.

J - 2010


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Passo

Bestas e demónios que hoje acordam
Acompanham-me na caminhada diária.
A dor podre já a sinto
É prolongada e fétida
Numa obtusa maneira de ser.

Do sol sinto a pele a arder
Come-me a carne
Entranha-se e seca-me os pulmões.
Respiro a toxicidade
E sinto-me envolto na poeira humana.

Abri o meu peito
E respeito a ferocidade.
Lentamente corro com os dedos pelo corpo
Aponto ao céu
E mostro que o caminho é indiferente.

Passo e passo.
Passo a passo.
Passo ou passo?
Caminho, é o que importa.
Coxeando ou correndo eu vou sempre em frente.

O coração que se ajeita em sons de harmonia,
Esquece a razão de quem lhe toca.
Fecho os olhos.
Ceguei.
Oiço a música que amo a dançar pela tua mão.

J - 2010


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fogo

Destes campos amarelos e negros
Surgem laivos verdes com a marca das tuas pegadas.
Da fonte seca,
Fugiu a tua saliva que nasce na serra.
Deito-me no chão
Olho o céu cinzento que brilha para cima.

Da terra apenas sinto o silêncio
E sinto o sabor da vida.
Tu nasces das flores que encantas
Suas cores são minhas bochechas
Ruborizam com a tua aura emanada.
Em campos que renascem
A vida é tua.

Quero-te colher
E recolho-me.
Atravesso o deserto ao não te ver
Poderás ser oásis que não quero reconhecer.
Cabelos de fogo que me ardem no peito
E o sorriso esse benfeitor,
Sugador de alma e delator.

J - 2010


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Impacto

Quero atirar este copo de cristal ao mar
Ser levado sem destino.
As vozes longínquas são abafadas
Travadas pelo pensamento.

Olho para o sol.

Tudo parece difícil.
Vou abalar e não mostrar fraqueza
Quero silenciar-me
O impossível afinal não é linear.

Quero esperar.

A delicadeza parece que apareceu.
Não fui capaz de combater tamanha arma
Quis tomar o belicismo defensivo
É prioridade assente.

O teu sorriso matou-me.

J - 2010


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fada

Tocaste num ponto.
O teu sorriso levou-me a ver que tudo é perfeito.
Quero pegar-te.
Levar-te.

Penso em ruas largas e iluminadas
Penso em chuva
Carícias leves, entre sorrisos e olhares puros.
Quero aplaudir-te na rua
No teu movimento de borboleta
Parar no mundo e o tempo é só para ti.

As luzes acompanham o teu brilho.
Os teus lábios finos que se abrem para mim
Tocam no meu estômago
Arrepia.
Faz-me suspirar.

A chuva corre pela face.
Mantenho-me no meio da rua
Imagino-te mesmo que não estejas.
Espero-te até voltares
Fecho os olhos e danço
Liberto as mariposas que vão saindo.

Abraço-me.

J - 2010


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