quinta-feira, 29 de abril de 2010

Seco II

Como te odeio…
Odeio-me!
Foge da minha vida seu espírito maligno.
Apenas me estragas a minha carne.

Não compreendes?
Não sabes realmente agir sobre mim.
Fiz-te mal?
Ficas tão diferente quando não sabes o que fazer comigo.
Magoas-me!
Sei que posso não te merecer,
Mas mereço ser tramado com tamanha trapaça?

Oiço gritos de ódio na minha cabeça.
O cansaço domina sobre o meu cansaço
E já não sei para onde me virar.
Dói-me a cabeça.
És tão confusa como a confusão que transborda no meu cérebro.

Lentamente matas-me.
Sei que não notas,
Será uma devolução ao mar daquilo que te ofereceram.
Não sou especial.
Sou ninguém.

Ingenuamente enganado pelo sentimento.
Deixo que as chamas me devorem,
Quero ser pó.
Não me respeitem depois de ser cinza,
Isso será hipocrisia.

J - 2010


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cerrado

De olhos bem fechados,
Atiro-me!
Sinto um pesar e uma tristeza eufórica.
O vento sussurra-me as viagens cósmicas
Para me perder em angústia.
Não quero mais nada.
Escondo-me debaixo dos lençóis
Afogo-me nas almofadas
Mas deito-me na cama de pregos que fui desenhando.

Refugio-me.
Sinto o sol ameno e quero chorar.
Não vou voltar.
Sinto-me tão longe daqui…
Na verdade, nem sei por onde a minha mente navega.
Será que o mar me levou?
Quero voltar àquela noite.
Senti-te tão perto, que deixei que me levasses.

Esfrego as mãos na minha cabeça.
Dói.
O cinzento do céu, chora.
Quero fazer o mesmo.
Sinto-me mais seco que o sol…
Nem um pingo de lava me corre na face.
Não sinto forças.

Cansa-me pensar e até repousar.
Não quero estar quieto.
Não quero fugir.
Onde estarei eu bem?
Quero a Natureza.
Mas também me quero deixar levar.

Um dia vou voar num disco voador
E crio o meu mundo.
Só aceitarei a paz.
Porque o amor, ficará à porta.

J - 2010


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sensações

Nesta noite tempestuosa,
Chamo-te.
Demonstras a minha revolta,
Para que a bonança apareça novamente.
Quero zarpar até ao infinito,
Ao poço que domina os meus pensamentos.
Sinto-me a afogar em tamanho buraco,
Que o destino me traçou em motivos de tambor.

De uma semente conservada,
Surge a esperança de uma alternativa.
Olho para todos os caminhos invisíveis
E esbato a tinta em pinceladas brancas,
Na mais clara parede que segura o céu.

Os gritos de revolta,
Espalham-se pelo mar, montes e vales.
Ecoa como um desespero de romantismo,
Em querer que o silêncio seja ouvido.
A chuva que cai,
Arranha-me a pele que se esfrega na areia rebelde.

Vejo no mar, uma fuga de energia,
Que no olhar vazio se perde.
Os raios caiem sobre a minha pele,
Entrego a energia aos céus.
Sinto-me em letargia.
Não me quero mover, não quero ver e nem sequer ouvir.
Mas a lágrima que corre,
É apenas porque te quero sentir.

J - 2010


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pedras

Que desespero me assola.
É um cansaço que arde os olhos e a mente.
Verdadeiramente, quero fugir para uma fantasia,
Com cores vivas e de encantos que embalam.
Sentir nas veias as cordas a vibrar,
A tremelicar com os sons mais puros
E voar por pensamentos que me urgem
Numa viagem alucinante, que o dia-a-dia representa.
É vertiginoso os caminhos que se percorrem,
Com pensamentos que nos dominam em medos.
Sensações que deterioram a sanidade
E fazem querer percorrer longos e frios corredores,
De um mármore, que me recorda o coração ferido.

Em tons dourados vou sonhando.
Pego nas rédeas e entro no meu pranto.
Quero acalmar como uma noite de luar.
Deixar-me embalar em músicas de magia
E intervir apenas quando me sentir completo.
Necessito de acordar deste pesadelo que me sufoca,
Palmilhar calmamente por caminhos sadios.
Preciso de abrir as velas ao vento
E vaguear por aí.
Vou-me alimentar da minha loucura.
Serei fiel ao destino que me reserva,
Mas lutarei sempre, sobre o mundo que me pesa nos ombros.

J - 2010


terça-feira, 20 de abril de 2010

Fraqueza

Quero abraçar-te no teu mundo.
Quero ser ninguém e navegar no teu corpo.
Quero apenas ser teu porto de abrigo.
Quero levantar os teus pés da terra e levar-te.
Quero mostrar o lado bom do mundo, para que o mal seja pequeno.

Mostrar uma vida mais feliz e fugir das advertências.
Vou-te mostrar sempre o sorriso mais puro
E és uma das razões pelo qual, o sol brilha tão grandemente.
Verás que a fuga não é a melhor opção,
Mas encontrarás soluções que melhoram o estado.

Sempre que vires uma árvore,
Vais ter vontade de a trepar como obstáculo da vida.
Será mais simples quando a aprendermos a subir.
O teu sorriso será uma garantia de melhor vida,
Sabes contagiar quem te envolve e isso vai aproximar a felicidade.

Deixa-te contagiar também.
Quebrarei barreiras que te dificultem,
Para que te facilite a dares um salto maior neste momento.
Sangrarei se for necessário, para que do meu sangue,
Surja a esperança e acredites no que és.

Amar-te-ei numa amizade pura.
Tão pura quanto estas palavras que te escrevo.
Não desprezarei os meus erros perante a tua presença,
Até porque me fazes crescer mais um pouco
E ver que este mundo é apenas um jardim que precisa de ser cuidado.

Os acontecimentos que vivencias,
Serão casos de traumas e estarás apta a ser mais forte.
Chamemos de inferno.
O paraíso está presente diante dos nossos olhos
E procuraremos apenas os bons cantos.

Sinto que és parte do meu jardim.
Uma flor que me encanta pelo cheiro e pelo brilho.
Temo que não possa ser o teu astrolábio,
Mas darei voltas ao mundo,
Para que me encontres.

J - 2010


domingo, 18 de abril de 2010

Brilho

Por aventuras morri.
Colhi o que demais abusei.
Sinto que os pequenos pedaços de ti,
Estão espalhados neste chão móvel.
Vou procurar todos os bocados,
Mesmo os que têm o tamanho de um grão de areia.

Se o mundo é grande,
O que sinto por ti é ainda maior.
Vou arriscar a minha vida,
Porque sem ti, a vida é um mar libertino.
Quero o brilho cristalino nos teus olhos,
Mas não o que é salgado…

Tenho saudades dos teus olhos doces e ternurentos.
Procuro na vida, razões para continuar
E estás sempre presente.
O caminho que percorro não é deserto,
Mas a aventura sem ti,
É apenas um leito vazio.

Quero explorar e mostrar-te.
Só que também quero ver.
Mais do que montanhas,
Mais do que mar,
Mais do que as belezas naturais,
Quero ver-me nos teus olhos.

Saboreio a tua doce saliva,
Aquela que já não é mais sentida.
Castro-me porque sei que te quero explorar,
Quero aventurar-me no brilho.
Apelido-te de esmeralda,
Da cor dos meus olhos que te vêem.

J - 2010


Desilusões Iludidas

Deformo-me para o mundo
Olho pela lua como se fosse uma janela
E lá estás tu, debruçada no parapeito.
O meu estômago encolhe ao ver-te,
E mesmo tentando controlar o meu desejo,
Vejo-me pequeno perante o sentimento.

Distancio-me pelas dunas.
Deito-me e observo as estrelas.
São pontos mais pequenos mas, de referência.
Contudo, és a minha lua,
Terás sempre as tuas fases.
Serás sempre cheia.
Preenches-me o coração,
Mesmo que seja em vão.

Permaneço neste vazio
Submerso em harmonia.
O sentimento mesmo que não exista,
Faz-me querer viver.
Quero-te como minha protegida.
Mesmo que não me ames,
Quero conquistar a tua confiança.

Por mim viverás uma eternidade.
Plena de saúde e alegria.
Serás a bela nascente de um rio vigoroso,
A fortuna de quem por ti passar.

Alheio à vida,
Sinto que o meu tempo, vai sempre chegar.
Limitar-me-ei a vivê-la.
Reúno todo o carisma que me foi dado
E oferecerei em dobro.
Eventualmente, nada é ao acaso.
Respiro.
Cheiro-te.
É assim que quero acordar todos os dias.

J - 2010


sábado, 17 de abril de 2010

Avistar

Não sei o que promovo,
Mas estou aqui, inerte, a observar-te.
Tento mais uma vez compreender-te.
Nunca te vou ver,
Estás dentro de mim e comandas a minha vida.
És um pedaço de tecido,
Ocultas-me e expões-me ao mundo.
Fazes-me feridas perigosas
E dos traumas me guio para coisa nenhuma.

Sinto apenas dor,
Aquela que não vejo ou apenas não quero ver.
Cerro-me em quatro paredes.
Tanto me faz se me gelam ou se me fazem arder,
No inferno já eu me encontro e não tenho nada a temer.
Pior?
Só não arriscar. Tenho que ter a coragem de um cego,
Dar passos sem os ver.
Mergulho na multidão e alguém me vai ver.

J- 2010


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Prisão

Levanto o rosto
E não quero acreditar.
Mais um longo dia para desbravar.
Crispa-me a espinha dentro do ódio matinal,
Eu quero é gritar!

Olho em volta e ainda não sinto calor.
Quero fugir!
Onde está a ternura do nascimento?
Quero nascer de novo!

Só faltam grades e correntes no meu mundo,
Para que exista na realidade o que sinto.
Movo-me em câmara lenta
Não quero ser ouvido.
Quase não respiro e vou sufocar.
Tudo quando menos esperar
E vou-me libertar!

No dia que desaparecer,
O destino me irá marcar.
Mas seja de noite ou de dia,
O que vou ver é o mar
E a esperança renascerá.

J - 2010


terça-feira, 13 de abril de 2010

Fuga

O silêncio que mata,
É o silêncio não correspondido por quem nos mexe no corpo.
Sinto a fé a fugir,
Oculta-se como a minha respiração.
Libertarei um grito mudo
E olharei para o céu,
Porque me espera as entranhas da terra.

Sei que mesmo aí,
Estaremos longe.
Viverei com a companheira da solidão,
Que me ferra como uma cobra, envenenando-me a vida.
Sinto-me embrulhado em teias de sentimentos antónimos.
O ardor que sinto dentro de mim,
Não me quer deixar respirar
E acompanha-me uma tristeza que me desperta.

Os sonhos vão-se desvanecendo,
O conforto que os acompanha, já não me abraça.
Quero desaparecer ao som de uma canção magoada.
Abraça-me Mãe.

J - 2010


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não Sei

Sabes?
Ninguém sabe senão tu.
Conheces-me pelo olhar
E sem nada falar
Abraças-me.
Achas que a falsidade é amiga?
Sei quanto rico sou
Por te ter.
Duvidas do meu sentimento,
Exasperas a minha carência,
Mas sei que o teu toque é real.

A vida não é fácil.
Nada de novo a quem pensa um pouco.
Ideia iluminada,
A quem se senta num banco do jardim.
O vento é a voz da consciência.
De momento, agita-se ferozmente
E com a doçura do passado.
A direcção alheia,
Demonstra a confusão espelhada de um sonho
Que rapidamente se torna pesadelo.

Não quero abrir os olhos.
Quero sentir o teu conforto.
A saudade arrelia-me e aperta-me o peito.
Sinto-me bloqueado, sufocado e inerte nesta luta.
Sei qual o resultado
Ainda assim, lutarei mais p’lo o que o coração acredita.

As promessas vãs,
Desvanecem ao pensar no teu toque.
Tenho saudades do teu cheiro.
É doce e faz o vento parecer o motor do mundo.
Quero senti-lo, em qualquer parte dos céus.
Faz-me acordar.
Sinto-me preso noutro pesadelo.

As linhas são fluídas,
Assim como a minha dor.
Quero estar e lamber o mar…
O sal do teu corpo, que me recorda a paixão.

Iludo-me.
Volto para o meu mundo.
Observo tudo da janela,
Não me quero voltar a magoar.

J - 2010


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Seco

Sinto secura na dor.
A vida está repleta de dificuldades
Mas até me sinto forte.
A indiferença da reacção,
Contrasta com as explosões internas
Que ocorrem no núcleo.

Sirvo qualquer pessoa.
Não vejo ódio.
Mas a injustiça mexe com o meu corpo.
Quero dedicar-me à vida.
Ser útil a quem me é útil.
Assignar-me a um desejo que continua esquecido.

Quero esquecer tudo.
Não saber do meu passado e começar do zero.
Ver a vida com outros olhos
E perder os receios que me limitam.
Quero saber quando e onde não devo estar.

É a tranquilidade a fugir,
Quando o coração bate mais forte.
Quero perder esta sede,
Pois já não sei onde vou bebericar a necessidade.

J - 2010


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Um beijo

A vela já se apagou.
Não tinha nenhum desejo em escrever estas palavras.
A luz resplandecente, ocultou-se pelos céus
E destemido segue para um novo rumo.
Um destino que será sempre surpreendente.

Longe de sentir o teu pesar,
Quero esticar os meus braços ao mundo
E que sintas o conforto merecido.
Que não se desvaneça o teu sorriso bonito.
Que a alegria que emanas,
Seja um porto de abrigo a quem amas.

Saberás que a vida tem de ser aproveitada ao segundo.
Ergue-te em direcção ao desconhecido que é o futuro.
Por entre sorrisos e palavras,
Haverá sempre um pedaço dele em ti.
No universo, nunca será perdido e a linha continuará,
Como as pequenas ondas constantes do mar.

Penduro-me no céu.
Ofereço-te esta estrela.
É o teu sorriso espelhado no amor.
Os anjos agradecem essa luz que brilha.
É o conforto que desliza
A saudade que fica em terra.

Tal como irmãos,
Tentaremos subir mais um monte que se avista.
Dá-me a tua mão.
Criaremos uma teia, que não te faça cair.
Será forte.
É um pedaço do meu carinho.

Do pavio que resta,
Serás tu a dar a continuidade.
Agradeço a tua amizade.
Agora deixa-me ajudar-te,
A dar força à tua luz, que brilha por todo o universo.

(Um beijo Pipa)

J - 2010


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Desejo

Quero escadas de facas,
Sentar-me-ei nelas todas.
Quero poltronas de silvas que me entranhem na carne,
Um mar salgado que me queime a pele,
Um sol tórrido que me deixe sem mexer,
Rosas belas e espinhosas,
Um espelho que me atravesse o ego,
Pisar um belo tapete de brasas,
Quero lavar o meu vidro com tesouras,
Levitar sobre a árvore mais bela
Queimando o meu pescoço.
Quero e desejo...
Na velocidade alucinante,
Saber qual o gosto do vidro cortante na língua.
Serei apenas mais uma flôr no jardim.
Quero saber como é a queda de um anjo.

J - 2010


Queda

Tão perfeito que sou...
Mas o que tenho?
Vejo apenas rosas do deserto na minha frente.
Queimam-me as mãos no meu toque suave.
Tudo se transforma na areia mais fina,
E escapa-se por entre os poros da terra firme.
Renuncio a minha vida,
Pois não é isto que me leva a querer viver.
Perturbado pelo pesadelo mais próximo,
Não quero mais conhecer o futuro.
Deito-me e acendo uma vela bem perto da cama,
Para que sufoque pela luz que me guia.
Tanto cuidado em pisar em solo firme
Para que a água deite tudo a perder.
Quero fugir, saltar e pontapear no destino
Esse maldito que tende a fugir-me das mãos.
Sinto-me penoso,
Sem alma.
Vou acampar no gelo e quero por lá ficar.
Quero gelar o meu coração
E deixar de ouvir a sua batida lentamente.
Mergulharei no mar mais gélido,
Cair inerte no fundo do oceano
E serei mais útil ao alimentar uma fauna.

Não consigo mais respirar,
Sinto-me bloqueado e travado pelo frio.
Quero vomitar e tapar os pequenos espaços que ainda respiro.
Quero envenenar-me comigo próprio.
Levar com o que cuspi e sentir o fogo a aniquilar-me.
O fumo que deito dos pés,
Será apenas o queimar da raíz,
Exactamente por onde se deve começar.
Sonho que vôo e que as asas se quedam a meio...
Grito.
Não com medo de cair,
Mas libertando um último suspiro que não seja ouvido por ninguém!
Ficarei sempre presente.
Não fujo porque morri.
Fujo porque nasci de novo.

J - 2010


terça-feira, 6 de abril de 2010

Velas

Corro contra as paredes
As que me limitam a vida.
Quero fugir como um prisioneiro
E limar cada ferro que me impede de ver o sol.

O peso que trago agarrado ao pé,
É apenas o mundo que arrasto em vida
E levo-me até às areias movediças
Para que não me segurem pelo coração.

Quero fugir para longe
Sabendo que te pertenço para sempre.
És o meu conforto
Das estrelas que vão fazendo brilhar o céu.

Agarro-me à cruz que carrego,
E levo-te, para que saibas que és tu que me dás força.
Caminho até ao lugar do mundo
E apenas vou parar quando cansar.

Não me sacrifico,
O acto apenas mostra que não quero contrapartidas.
Sou apenas mar
Que vai e vem sempre de forma diferente.

Julgo-me por todos os actos,
Sei que o correcto, nunca o farei.
É do erro que aprendo e no corpo que noto,
O sangue que corre, não é mais do que a vida.

Avisto-te pelo meu desejo.
Quero apenas ficar
Não vou voltar ao corrupio,
Vou navegar só contigo.

J - 2010


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Caminhos

Sei que sou louco,
Mas preferia não conhecer o futuro.
Não me condenem,
Mas quero manter-me na ignorância e na inocência
Viver a vida com sabor.
Amargo a cada dia que envelheço,
É o estado adulto do viver.

Sumarento sumo de limão,
Que corrói a pedra mais densa
Desfaço o meu coração que me recorda o teu cheiro.
Quero fugir.

Estou farto de lutar pela batalha que perdi há muito.
Apenas me destruo aos poucos
Num ácido que só tu libertas.
Anseio pelo fim esperado,
Porque não quero mais sofrer.

Finaliza-me com a tua seta que outrora fora de cupido.
Quero voar num Pégaso que me leve aos céus brilhantes.
Reconforta-me na nossa manta
Que proporciona o ninho doce.

Quando fugir, vou cantar a vitória.

J - 2010


Compreendes-me?

Escorre o sal pela tua pele
Alimenta os meus olhos vermelhos
Afogo-me neste ácido corrompido.
É a inocência a desaparecer.
Sofro por motivos alheios
E de um destino incerto,
Vou vivendo com ele cravado na pele.

O dó pelo qual suspiro,
Desvanece a fuga dos sentimentos
Quero que me envolvas no teu jeito,
Devora-me a tristeza com os teus lábios.
Suprimo qualquer dor
Com este grito de silêncio.

Percorro todos os trilhos,
Mas nunca encontrei apenas o meu caminho.
Dou-me em jeito de sofrimento.
Liberto a minha asa,
Desfeita pelos ventos do tempo.
Sorrio apenas por fora.

Vejo-me louca e duvido se não o serei.
Surpreendo-me a cada batalha travada,
É a receita do mal que se aproveita.
Ondas que me arrastam
Neste avassalador mar que me desenha.

Liberto-me.
Sorrio da leveza do momento.
Agora a lua protege-me
Encosto-me e deixar-me-ei levar pelo teu encanto.

J - 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Espirais

Deste impulso porco que me faz enojar,
Perco-me em destinos que fogem pelas mãos.
Endereço-me para o local mais perto
Aquele que é fraco e disperso.
Sinto-me irregular como o vento
E devaneio por entre montes claros diferentes.

Sujo-me.
Não se vê o que possa limitar a imaginação,
Mas o sentimento impele a uma paragem discreta.
Afinal, escondo-me de uma figura que nunca existiu.
Sabe a paredes de pedra...
Finjo que o gosto excepcional, é fino como o sabor dos morangos.

Estou fechado num bloco
Todo ele de tijolo e betão armado,
Com telhados de vidro, que se sujeitam a cortes profundos.
Perdi-me em tamanho entretenimento
Choro, porque não sei como voltar do labirinto,
As silvas apertam-me as veias e expelem o veneno do desejo.

Mais uma vez o meu estômago quer sair pela boca.
Nem o que é meu quer estar comigo.
Vomito o ódio, os nervos e a raiva acumulada,
E fico quieto no meu buraco minúsculo.
Não quero que ninguém me veja,
Quero que me olhem, mas apenas como recordação de vida.

Amarro-me contra o ferro.
O frio sacia-me a queimadura que me ata,
É o destino repetido a cada sessão que me flameja.
Sou de um fogo fino, que perdura pelo tempo que resta de oxigénio.
Sou apenas uma explosão contida
Pois vivo num universo mais pequeno que o meu quarto.

A saudade aperta.
Já não sei para onde vou, para onde quero ir.
Sei que apenas sou...
Sou o que sou...
Mas não sei quem sou.
Penso. Mas não sei se existo mais.

Vasculho-me em pequenos contentores do lixo,
Vejo restos, degradação e humilhação.
Semeio a semente preciosa
Mas no título de vão em cada página que viro.
Sou sincero que comi do mesmo pão que tu,
Mas mereço a luz que me flui no corpo?

Render-me-ei.
O cansaço, já nem se sente cansado de tanta agonia que aí vi.
Perderei de pé justo
E saboreio cada pedaço, cada centímetro
De fel que lambi, em nome do desejo.
Desapareço envenenado, porque já nem conheço outro sabor.

J - 2010


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