segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sabor da Cor

Já não sei o que sonho.
Não sei o que sonhar.
Os sabores estão misturados
E da amargura apareceu o doce sabor.

Vejo ao longe o doce sabor de que sou desencaminhado
Mas sou mais sincero aos meus verdadeiros sentimentos.
Se a minha tiver como sabor, o amargo,
Que seja!
Sem problemas encaro esse sabor.

A importância que se dá às coisas,
É o que nos envolve.
Tirarei o maior proveito se for teu sabor
Me asperiza o céu-da-boca e me envolve na língua.

Já não me importa o que sonho.
A expectativa tornou-se inimiga,
Rodeia-me da forma errada
E eleva-me do chão,
Levando-me em viagens que me iludem
Como se vestisse as asas de um anjo.

Não tornarei negro.
A cor dará o sabor
Mostrar-me-á um caminho sem retorno.
Vou em frente e só pararei,
Para ver a cor a surgir no céu
Como a alegria do meu olhar.

J - 2010


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sinais

Onde estão os símbolos?
E as imagens que nos fazem guiar e acreditar?
Parece que no mundo actual,
Perdemo-nos em antiguidades que fingimos não ver.

Tento reorganizar-me.
Sou como um símbolo sacrificado
E alterado pelos sabores do tempo.
A minha identidade é moldável
Consoante o tempo em que cresci.

As vidas vão passando e os sinais mutam-se.
Segredos que deixam de o ser.
Histórias imaginárias que nos desiludem.
Assim talvez seja a condição do Amor.
Com a idade,
Também muda em caminhos que não são reconhecidos.

Cresci.
Mas vale a pena mudar o que nos agrada?
Será que o sonho é apenas deixar a inocência
E libertar para voos que nos fazem cair?

Recordo-me apenas,
“O Amor é para os fracos”.
Riposto.
O Amor sentido, é a visualização para as mudanças do futuro.

J - 2010


terça-feira, 13 de julho de 2010

Fuga Imaginária

Preciso de espaço.
Sinto o sufoco a apertar-me.
O lobo enjaulado crispa-se às tentativas de aproximação.
Quero caminhar lentamente,
A um ritmo ligeiro e sem definições.

Alheio a futuras procuras,
Estão a sujar-me num desejo que não desejo.
Falta-me o ar num cubo gelado
Atiram-me para um precipício
E não retorno até me desligar.

O sentido deixa de fazer sentido
E eclipso-me de ideias revigorantes.
A apatia aperta-me.
Algema-me numa árvore perdida na floresta negra.
O sabor desvanece…

Não luto na luta que é perdida pela força.
Preciso de espaço.
Magoa a mágoa de outrem
Mas sem respirar,
O vazio contorna-me as linhas do passado.

Não fujo.
Vou-me apenas embora até não voltares.

J - 2010



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eutanásia

Não fugirei da decisão.
Sei bem que o sofrimento é pior.
Os gritos ainda me perseguem no pensamento
E não desanuvio a olhar para o mar.
Aliás, ainda nem consegui olhar.

Tudo à volta parece morto.
Tão morto como tu, naquela mesa fria.
Sei que foste dormir.
Senti o coração a abrandar até parar de vez.

No caminho que percorreste,
Deixaste pedras que são base do que sou.
Fidelidade, carinho, afecto e lealdade.
É tudo o que levas contigo mas também fica.

Fostes…
Abraçado pela pessoa que mais te protegeu
E pelo meu amor também.
Poderão indicar que é só um bicho,
Mas reagia mais humanamente que algumas pessoas.

Triste.
Tomei a decisão que nem Deus tem direito a tomar.
Se assim fosse, o que é bom, não ia embora.
Embalo-te pela última vez
E o beijo por ali ficou.

J - 2010


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