quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Razão

Atingir a solidez entre duas almas
Deve ser das tarefas mais árduas.
Não se deve procurar tamanha façanha
Mesmo que não se acredite em Destino
Não podemos voltar as costas ao futuro.
Podemos e devemos pegar na mochila
E partir!

Há sonhos a realizar
Metas por atingir.
É possível sozinho e não vale a pena fingir.
Transforma-se a farinha em pão
E a vida pode-se transformar em mais vida.
O Amor é para os tolos!

Não me posso esquecer de me formar.
Mas depois,
Quero ser o maior tolo de todos.

J - 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Destino

Agulhas que me cosem o lombo
Perfila-me o destino mal traçado.
O arrepio que me provoca a insensibilidade
É a dúbia existência para um companheiro.

Evoco a Natureza até mim.
Apetece-me sentir, degustar, cheirar, ouvir e ver.
Tento entrar na mais pequena partícula,
Imaginar a complexidade no grão mais pequeno.
A dimensão não nos demonstra nada.

As mais pequenas coisas,
Os pequenos gestos,
Podem demonstrar toda a força da Natureza.
Da semente origina-se a vida.
De um abraço geram-se sentimentos.

Um dia vou à aventura.
Quero entrar em sonhos reais
E ver o que o mundo tão gigantesco tem para me dar.
Procuro numa distância curta
As respostas mais precisas.
Mas não procuro o que não pode ser encontrado.

J - 2010

Alucinação

Pego na rosa pelo espinho.
À velocidade diabólica emprenha-se no meu sangue
Sinto um frio arrepiante
E o veneno enegrece-me os dedos.

Provo do copo e acabo por beber do jarro.
Devora-me.
Quero sentir o teu corpo no meu.
Une-te comigo pelos sabores que já não sinto.

Vejo que toda a doçura, é o doce pecado.
Mas não me importo de pecar contigo.
Sentir o teu cheiro de rosa e amoras silvestres,
Espetar os meus dedos em dentes de cobra
Quero sentir-me alucinado pela tua droga.

Sentirei os teus fantasmas nos meus ossos.
O calor será inconfundível.
Ele é tão teu…
Abro os meus braços,
Respiro fundo.

Mergulho nos meus sonos mais profundos
E deixo-me levar pelo remoinho…
Se deste turbilhão eu sair,
Será a ti que te vou beijar.
Porque neste tempo todo,
O que mudou, foi a força que se ganhou.

J - 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Medo

Segura-me a mão.
Aperta-a com força!
Sinto um buraco no peito e me engole.
Turbilhão de respeito
As nuvens que me consomem.

O Sol fugiu.

Não entendo.

Sinto-me vazio...
Um barco sem velas ou motor.
Quero voar num mar obscuro e apenas me reservar.
Sinto o Inverno a entrar-me nas veias.
Arrepia-me o sentimento de saudade
E de um longo pesar que me acompanha.

As lágrimas saem… Escorrem…
Mas não lavam a face.
Sinto-me deambulante
Estou a enjoar de um jogo sem fim.
Salta-me o estômago e percebo que me perdi.

Não quero o medo de quem naufragou,
Mas sim a coragem da vida que não se apaga.

Atiro.

Parto.

Revolto-me com um grito
E oiço o silêncio.
Levanto-me do divã.
Saio pela porta que me matou.

J - 2010


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Apego

Desejo calar-me.
Não quero referir o meu sentimento.
Afogo-te nas minhas palavras constantemente
E apesar de saberes que não é por maldade,
Tendes a afastar-te.

Sem os contornos da tua silhueta
As minhas mãos são vazias.
Não são mãos de semear.
Recordo-me todos os instantes.
Agradáveis vibrações de um tempo que já passou.

Quero voltar à permissão de um olhar.
Talvez de um beijo.
Quero voltar a reconhecer o teu corpo
Sentir o fogo flamejante a circular no meu sangue.
Estou sedento.

Quero sorver a saliva que troco com carícia.
Fantasia.
Libertas-me de todos os preconceitos.
Fazes-me pensar no que é o amor.
Mesmo que isto não o seja,
É a ti que me estou a apegar.

J - 2010


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Mutação

De que sonhos saí eu?
Sinto o aleatório sentimento de quem me ama.
Não quero uma postura desconcertante
Sem que sinta o equilíbrio.
Quero viver e ser vivido.
Não quero morrer esquecido
Mas também não quero esquecer de morrer.

Sinto diferenças a abundarem em mim.
O pecado apoderou-se da fragilidade.
Levianamente pereço sem sentido.
Vou esmorecendo como carne fétida.

Como um diabo no corpo.

Do erro quero fazer certezas
E chegar à minha torre de Babel
O marfim que não seja manchado pelo sangue.

Mudei.
Se não for para melhor,
Que seja ao menos para me agradar.

J - 2010


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