quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Medo

Segura-me a mão.
Aperta-a com força!
Sinto um buraco no peito e me engole.
Turbilhão de respeito
As nuvens que me consomem.

O Sol fugiu.

Não entendo.

Sinto-me vazio...
Um barco sem velas ou motor.
Quero voar num mar obscuro e apenas me reservar.
Sinto o Inverno a entrar-me nas veias.
Arrepia-me o sentimento de saudade
E de um longo pesar que me acompanha.

As lágrimas saem… Escorrem…
Mas não lavam a face.
Sinto-me deambulante
Estou a enjoar de um jogo sem fim.
Salta-me o estômago e percebo que me perdi.

Não quero o medo de quem naufragou,
Mas sim a coragem da vida que não se apaga.

Atiro.

Parto.

Revolto-me com um grito
E oiço o silêncio.
Levanto-me do divã.
Saio pela porta que me matou.

J - 2010


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