quarta-feira, 31 de março de 2010

Solidão

Imagino-te.
Sofres nesse teu mundo.
O teu quarto sem janelas,
Sem ar.
Sufocas.
Respeito-te.
Admiro-te.
É por pessoas como tu,
Que quero tomar o mundo como melhor
Quero recriá-lo.
Mereces melhor sorte.
Quero parar o teu sofrimento
Como se estanca uma ferida
Vazia.
Mesmo que tenha o tamanho do mundo,
Abraço-o.
Transformarei toda a alegria
Em algo consumível.
Ofereço-te!
É tudo para ti!
Serei mais feliz quando fores também,
Do que consumir tudo sem razão.

O mar está aqui para ti.
A brisa é um espírito reconfortante.
Ouve-o com atenção.

J - 2010


Sonhos

Sirvo neste copo de servente
Um elixir de alegria
Na fonte da fortuna
Pela praça que perdura.

Olho nos céus,
Vejo teus olhos.
Semeas na visão
A suavidade do algodão.

Flutuo.
Sonho em saltos de cordeiro
E perante tamanha verdura,
Rebolo com o pensamento no céu.

Revejo uma roda.
Gira a cada pergunta
Respondo de forma aleatória
Com a roda viva da memória.

Sentido.
Aponto para todos os caminhos,
O destino correcto.
Vivendo hoje como se fosse amanhã.

Silencio-me.
Espero pela resposta correcta
Da respiração,
Seduzo-me pela afirmação de outrem.

Mas pelo perigo da aleatoriedade,
Eu defendo-me.
Sirvo outro copo.
Será meu.

J - 2010


segunda-feira, 29 de março de 2010

Só?

Na verdade,
Eu não gosto de ninguém.
Sou apenas um romeiro
Vagueio pelas ruas,
Em busca de um sentimento.

Sinto-me perdido,
Mas redescubro-me
Em cada tentativa falhada.
As opções são remotas
E divago com as paredes
Que tão bem me compreendem.

Só.

Sinto-me desprovido.
A falta do teu calor,
Elucida-me o que quero ser.
E ter.

A vida solitária é boa
Mas o que é de mim,
Sem ti?
Sorrio quando te vejo
Mas a realidade,
É que a tua presença,
É um rio de alegria por onde passas.

Sinto-me encantado por ti.
Deixas-me encantar-te também?

Pego no teu sorriso
E guardo-o junto do meu peito.
Felicito-me por ouvi-lo.
Será o meu ar.
Um profundo suspiro de alívio.
Contagias-me.

J - 2010


terça-feira, 23 de março de 2010

Fugas

Sacos rotos
Que perdem vozes
Indecências remodeladas pelo tempo,
Podem ser tragédias gregas
Enquanto possuem punhais,
Que acertam no centro do peito.

Providências que ocorrem em tempos,
São marcos de estrutura,
Na correntesa da fortuna
Que os barcos possuem.
São as sereias que protegem
As almas guerreiras da terra.

Os vales e montes percorridos,
São a base de uma certeza,
Perdida e só.
Fogachos de ternura
Que incendeiam o invisível,
Com a mistura de uma sensação de leveza que acompanha.

Diabos,
Andam à solta.
Sonhos que se transformam em desejos,
Desejos que se transformam em sonhos.
Círculos que desenham
Um embate forte no meio.

Luzidio,
Folhas de fogo,
Absorvem o frio que aí vem
Do sol morto que já se pôs,
Ainda permanece na árvore
O ardor, de quem naufragou.

Perdidos,
No branco que é cego.
Não se vê o que para lá se executa.
É uma decisão de corda bamba,
Que a coragem determina a sua fortuna.
Abre as mãos e terás a decisão do futuro.

J - 2010


sexta-feira, 19 de março de 2010

Desfeito

Palavras magoadas
Do sonho desfeito
São pequenas quezílias
Que me arranham,
Que acidificam as feridas.
Os dedos decepados com que escrevo,
Dá a cor da tinta
À minha alma.
O desespero que me invade,
Transforma-se em silêncio.
A raiva é amiga do meu pesar.
É a companheira
Que me enfraquece o coração.
Torna-me díspar em relação ao universo
E faz-me vaguear nas ruas do pensamento,
Alheio ao que me rodeia,
Até porque a alegria,
Foi-me arrancada a ferros.
Oiço o meu coração
Fora do meu corpo.

J - 2010


terça-feira, 16 de março de 2010

Mar

Sedento de ti.
Quero atirar-me para ti,
Como um aglomerado de algodão.
Suaviza-me a pele com o teu sal.

Atiro-me para me lavar
Daquela angústia que me percorre nas veias.
Deixo de respirar até ficar azul,
Da tua cor.

Tu vens, mas voltas para mais um ciclo.
Deixas teu cheiro,
O som suave
E a alegria da vida que te rodeia.

Procuram-te,
Desabafam com o olhar
E perdem-se em ti.
Deixam-te a carga negativa.

A espuma que cura,
Que oxigena o nosso mundo,
Espalha-se pela areia moída
Das rochas resistentes da terra.

Tu que fluis por ordem incerta,
Serves de espaço para os seres
Tão especiais como tu.
És vagabunda da vida.

J - 2010


Primavera

Vorazmente, delicio-me a comer,
Perante este sol ameno.
Aprecio a minha infância passada
E preencho o meu tempo
Com o pensamento evidente.

O sabor do pão torrado,
Recorda-me a energia.
O leite fresco,
Um paladar intenso,
Que me refrescava na manhã escaldante.

Oiço o vento,
Que traz cantorias delicadas,
Em cores quentes que se arrastam,
Brasas voadoras que me encantam
Em suas plumas que a brisa enjeita.

Observo a nudez do ambiente,
O presente, é branco pálido,
É um ruído parasita presente
Fora de contexto.
É um sonho transmitido pela saudade.

Ofereço-me mais uma manhã.
Sorrio perante o cenário desolador,
Mas que me mantém quente no presente,
O passado saudoso,
Que me faz viver com o sorriso de agora.

J - 2010


segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavras

As palavras, são como doces
No entanto, podem amargar.
São como pedaços de fruta,
Que podem apodrecer.
Mas nunca podem ser apagadas,
Depois de proferidas.
Analiso-me em palavras,
E acho que já apodreci,
Mesmo antes de cair da árvore.

J - 2010


Sombras

Pequenos gigantes que se formam do sol,
São ilusões perfeitas do ser
É a vontade de crescer,
A de semear o futuro, que nos condena.
Vario o meu olhar
Entre o amarelo e o azul.

Pretendo a redenção dos actos
Menos conseguidos,
E viajarei por sonhos perfeitos.

A perfeição é feita com alma;
De longe a cabeça poderia fazê-lo,
Até porque é tão humano
Como o nosso pensamento.
Apenas o coração,
Nos poderá salvar de momentos tão difíceis
Como os que se vê.

Será da união que vai surgir o principal factor.
[Amor]
Agora sento-me
Vejo o que me rodeia e pinto.
Darei ao futuro o meu passado,
Mostrarei um pouco da minha alma
E viverei o presente, como um sonho acordado.

J - 2010


sexta-feira, 12 de março de 2010

Decisões

Que armadilha esta
Vai envolvendo e dá o aperto final.
Espero ou vou?
Que merda de decisões.
Sempre a mesma aventura
Este dia-a-dia cansa.
Repleto de uniformidades
E repelentes de novas ideias.
Que angústia me precede
Sempre com medos ou receios
Que se valem da minha fraqueza.

Ora estou, ora não estou.
É apenas uma valente irresponsabilidade.
Não saber lidar o touro pelos cornos,
Que são aguçados, como as decisões que nós tomamos.
Cornos valentes os que tenho,
Mas são meus e não foram criados por ninguém.
Andarei eu por esta trampa pestilenta,
Mas será o meu chão.

Decisões tomo-as eu.
Ou então não...

J - 2010


quinta-feira, 11 de março de 2010

Silêncio

O final de um violino
Que soa a sorte madrasta
De uma execução injusta,
Que revela os segredos
Jamais pensados,
Pela ignorância do povo.

O amor também mata,
Pois o ódio que lhe está próximo
Vive da raiva que o acompanha.
O lenço que cai sobre o sangue quente,
Mostra a frieza que reina na dicotomia.

Sob esta lua plena,
A escuridão acompanha a calma
Por vezes tão próxima,
Outras tão esquecida
A lágrima que corre no plano circular,
Cai sobre o lago
Silencioso,
Sereno,
Morto.
Arrepio-me a cada gota que cai
Um som absorto, inerte...
Que bate dentro do meu coração
Envenena-me.

Cada palavra,
Uma facada.
Abro os meus braços,
Mostro o meu peito,
Fico parado, à espera que tudo caia em cima.
Enfrentarei de frente.
Seco, amargurado e silencioso,
Será o grito da minha revolta.
Pararei o mundo,
Louco talvez?
Ainda assim, sonho.
Ficaram obscuros, negros e pesados
A criança fugiu, assim como o meu ser.
O sentimento sangra
Desvanece em lágrimas vermelhas,
Mutilo-me.

Deito-me nas pedras frias da noite,
Olho o céu,
Espero que me leve.
Crispa-me a espinha
Arde-me o estômago,
Mas sinto-me vazio na alma.
Apenas sou corpo
Fisicamente presente
Mas morto desde sempre.

Jogo a última peça do jogo.
O rei caiu.
O preto no branco do chão que piso
É apenas mais uma jogada na vida
Que só,
É impossível jogar.
Ditado um jogo está,
Quando não é mais do que uma vida encenada.

Abro portas ao meu teatro.
Espelho um sorriso para os espectadores,
Cansado,
Puxo do pano que termina.
Vermelho.
De veludo.
Abraço-me neste silêncio,
É um pecado falar.
Oiço o pó a passear pelo palco,
Espectadores, já não os há...
A vida assim termina
Num palco que ouvira
E de momento apenas chora,
Com a lua que cai,
Em busca da nova aurora.

J - 2010


Sinto

Sinto-me num cansaço
Que nem o próprio cansaço
Consegue reagir.
Enojo-me da maneira que vivo.
Estou cansado do meu cansaço.
Preverso sentido,
Que me explora os sentimentos
De um devaneio perigoso
Que odeio, porque não me termina.

Sento-me em cima da corda do sentimento.
Não caio, mas também não me deixo cair.
Quero atirar-me,
Sem que ninguém veja.
Os olhos que me perseguem,
Não são mais que pequenas extensões dos meus
É uma praga que me entranha
E uma doença que não me quer deixar sair.

Sinto-me doente.
Quero fugir.
Não me largam...
O jogo do toca e foge.
Sai da minha cabeça. Não te quero mais.
És apenas meu abismo
O negro que me persegue na vida
Mas que se encolhe quando o tento, a abraçar-me.
Que fúria sinistra.

Prevejo que posso ter tudo,
Mas se calhar, não quero nada.
Magoa-me tudo o que tenho de passar
Para conseguir um objectivo final.
Sorrio, faço por sorrir, tento fazer sorrir
Já não aguento mais.
O que é feito da constante felicidade,
Que uma criança vive sem lhe dar valor?

O que é alegria?
Só o vejo como um sentimento mal aproveitado
Que o ser humano não sabe viver.
Por outro lado, é o sentimento que vive na ignorância
Pois pensando na realidade, toda a inocência se desvanece.
A alegria, é temida.
As pessoas não o querem mais, porque o medo,
Impele-os que a tristeza seja a eleita.

Do futuro que aí vem,
Apenas temo é não ser feliz.
A eternidade tem tempo
Mas tempo é o que não tenho
Que a vida é curta, para não se viver.

J - 2010


quarta-feira, 10 de março de 2010

Cansaço

Rodeio-me de um desejo
A saudade de te ver de forma inocente.
Padeço da doença social mais obscura,
O ser adulto.

Parte da alegria passada,
Já não é mais vivida
Nem hoje,
Nem depois.

Sinto que a vontade de fugir,
Está associada à perda
Que se recusa a voltar.
A tinta escorre...

As cores alegres,
Substituem as cores escuras
E de um crescimento colorido,
Vem o negro da formalidade.

O fulgor, também já não desenvolve.
Tende-se a forçar,
Já que a vida pede que façamos os sacrifícios banais
Do dia-a-dia.

Enfandonho.
O percurso cinzento do afazer
Diário e que puxa para um fosso na vida.
A utopia percorre na minha mente.

Serei cruel,
Serei fiél,
Serei a vida de um louco?

Preservo a cândida flôr de Outono, na Primavera.

J - 2010


Toque

Desta cadeira de couro que me sento,
Sinto o cheiro bafio do passado.
Ordeno-me.
Vejo-me num estreito caminho
De amargura.

De um deserto de ideias
Procuro todo o teu toque incessantemente
Sinto superfícies rugosas
A lisa porcelana em que toco,
É pecado!

Não compreendo,
Vagueio em sentidos perdidos
Descentralizo-me para curar,
Escondo-me por detrás do veludo
Atiro-me ao mar para soltar.

A vida que tanto muda,
É um mudo que tenta gritar ao acaso.
Faz ouvidos mocos
Às nossas escassas tentativas de mudança.
Levo as mãos à face da recusa.

Segredo ao ar,
Quero morar no meio da escuridão.
Embalar-me pelo pesadelo
E silenciar-me como um desejo.
Grito.

Salvo o que está dentro de mim,
Mato o meu ser.
Percorro o meu caminho, até ao fim.
Vejo-me num espelho morto.
Reconheço-me apenas pelo que me vai na alma.

Odiar-me-ei pelo que fiz.
A perseguição fatal,
É desleal a quem a vê de fora.
Recuso-me.
Não quero saber quem és.

J - 2010


terça-feira, 9 de março de 2010

Sons Quentes

Sento-me sobre tempos remotos
Sinto os cheiros do passado.
Revejo-me na inocência de outrora
Vejo os socalcos na pele que não existiam.

Acomodo-me na utilização da tecnologia
Acompanha-me e arrepia-me.
Sinto-me controlado,
A cada passo que dou.

O metal precioso,
Vem dominar a minha vida.
Tudo torna diferente, quando lutamos para o ter
Quero desafogar-me e viver.

Quero o sentido da vida, durante esta ruína.

Deixo-me queimar pelo sol.
O mesmo que em criança me guiava.
Poder apreciar o que me era dado pela Natureza.
Respiro e deixo-me levar pelo calor,
Dos sons que me aquecem os sentidos.

J - 2010


Planicie dos Tempos

Deste ninho de espelhos,
Vejo a aurora do tempo.
Os cantos moribundos que oiço
Pertencem a esta planície,
Gemidos de magos, que outrora foram gigantes.

Deambulo perdido,
Por esse horizonte fora.
Recorro ao sol para pedir misericórdia
Escondo-me debaixo das nuvens negras
De um futuro que haveria sido promissor.

Viajo por entre músicas e alegres melodias.
Sons que espantam os seus fantasmas.
Salto, danço e inspiro com força.
Vejo nos céus, um infinito tamanho
Que tento abraçar, com os braços que me foram dados.

Recuso um retorno ao passado.
Já foi.
Não voltará a ser o que era.
Batidas fortes dos tambores,
Que me fazem pensar nas longas jornadas.

Desta terra que me escorre pelas mãos,
Vejo todos os segredos que pisei.
Que força perdurará no que semeio?
De risadas loucas, vem o choro que sente o medo a subir.
Voltarei, mas apenas para mim.

J - 2010


quinta-feira, 4 de março de 2010

Poema

Ternura destes dedos de lã áspera,
Acariciam a tua porcelana pálida.
Percorro caminhos estreitos,
Devaneio em horizontes longíquos
De um deserto, que planta cactos do amor.

Desço pela amargura da vida,
Encosto-me à ponta de uma faca
E pela vida retorno,
Ao aguçado gume que é o dia-a-dia.
Respiro, enlouqueço e mostro a palma da mão ao céu.

Desdenho por um destino,
Aquele que será o meu e só meu.
Talvez teu.
Mas meu na mesma.
De que me serve pensar?

De medos que percorro,
Não sei qual escolho.
Vive um medo, que é meu.
Viver a vida.
A escuridão que me abraça, não o receio.

O fim, vem quando largar a caneta.

J - 2010


quarta-feira, 3 de março de 2010

Moinhos do Tempo

A luz ainda jaz suavemente.
Ordeiramente, o mar percorre as rotas traçadas,
E junta-se à noite tranquila.
O vento fala com a serenidade de outrora.
Os castigos pesados,
Foram trocados pela leveza da paz.

A surdez do ambiente,
Desenvolve numa perigosa caminhada do tempo.
A intempérie trouxe de volta
A humanidade perdida.
Apreciemos o silêncio,
Porque um dia, deixaremos de ouvir.

J - 2010


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