quarta-feira, 10 de março de 2010

Toque

Desta cadeira de couro que me sento,
Sinto o cheiro bafio do passado.
Ordeno-me.
Vejo-me num estreito caminho
De amargura.

De um deserto de ideias
Procuro todo o teu toque incessantemente
Sinto superfícies rugosas
A lisa porcelana em que toco,
É pecado!

Não compreendo,
Vagueio em sentidos perdidos
Descentralizo-me para curar,
Escondo-me por detrás do veludo
Atiro-me ao mar para soltar.

A vida que tanto muda,
É um mudo que tenta gritar ao acaso.
Faz ouvidos mocos
Às nossas escassas tentativas de mudança.
Levo as mãos à face da recusa.

Segredo ao ar,
Quero morar no meio da escuridão.
Embalar-me pelo pesadelo
E silenciar-me como um desejo.
Grito.

Salvo o que está dentro de mim,
Mato o meu ser.
Percorro o meu caminho, até ao fim.
Vejo-me num espelho morto.
Reconheço-me apenas pelo que me vai na alma.

Odiar-me-ei pelo que fiz.
A perseguição fatal,
É desleal a quem a vê de fora.
Recuso-me.
Não quero saber quem és.

J - 2010


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