terça-feira, 29 de junho de 2010

Pisadas

Gostava de seguir as pisadas de alguém.
Seria saber e conhecer o chão que se pisa.
Poderia terminar o que ninguém acabou
Mas, a vida teria um sabor já feito.

Gosto de sentir o novo aroma
E deixar-me levar pelos meus gostos.
Não quero mais arrepender-me pelo que não fiz.
Atirarei pedras ao lago,

Se nenhuma voltar, é porque a gravidade não o quis.
Poderia sinalizar as pedras todas,
Mas já não teriam o encanto de quando as vi.
Mudaria o impacto e o rumo do planeta.

Os meus passos serão dados a olhar para a frente.
Não importa o que está no chão.
Se o destino for construtivo,
Utilizarei o pó para fazer o meu cimento.

Vou erguer e espalhar o poder da palavra.
Um dia chegará ao teu coração
E talvez noutros planetas distantes,
Uma flor nascerá na escuridão da tua luz.

J - 2010


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sonho

Sonho um dia ver-te numa tarde de Primavera.
Sorrindo aos céus e mostrando o encanto.
Os pássaros rodeiam-te em plena alegria
E as flores esplendorosas reluzem todo o teu brilho.

Sonho um dia ver-te numa manhã de Verão.
Mostrar cada centímetro do teu corpo
Sentir o cheiro do mar enquanto respiro o teu perfume.
Ficar sem jeito e fintar o desejo, beijando-te as mãos.

Sonho um dia ver-te num crepúsculo de Outono.
Ver o sol que baixa e te doura as sardas.
Que mostra o teu real olhar em tons quentes
E que te ruiva o cabelo como as folhas que vão caindo.

Sonho um dia ver-te numa noite de Inverno.
Observar a lua cheia a reflectir no mar.
Afagar o teu corpo e sentir o contraste com o calor.
Fechar os olhos e sentir-te a rodear-me com os teus braços.

Sonho. Porque tenho esperança de te ver sorrir.
Sonho. Porque tenho esperança de te ver feliz.
Sonho. Porque será o teu sonho a guiar-te para a tua cura.

J - 2010


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Decisões

Transformo o rio num sorriso.
Naquele conforto que fica estagnado
E com a beleza que o passado transforma.
Posso fugir em qualquer direcção.
Subir à montanha gélida
Ou nadar até um mar em crise.
Prefiro parar.
Não para estagnar,
Mas para observar cada centímetro de piso firme,
Para escutar o tempo que for preciso
E ouvir a resposta que vem da alma.
Vou ao fundo várias vezes.
Pesco ideias que a água lava a cabeça.
O desejo é efémero mas preenche páginas brancas e rotas.
Ajudarão de certo em plenas batalhas,
Para a conquista, mesmo sem retorno.
A decisão terá sempre o mesmo peso.

Talvez venha a subir e atirar-me em queda livre.
Quero cair no mar
Mas vivendo o gozo da vida.
Do mar não retornarei,
Mas as memórias não apagam,
Se do meu jeito,
Apregoar que te vi.

J - 2010


terça-feira, 22 de junho de 2010

Passos Soltos

Saudades das tuas ancas firmes.
Parece que foi ontem.
Talvez até tenha sido ontem,
Mas o pesar da saudade vem do saber,
Que pouco ou nada voltarei a tocar do teu maravilhoso corpo.

Vou querer renegar esta saudade.
Tentarei decidir pelo teu melhor mas,
Também pelo que agora a minha cabeça o diz.
A dor pouco importa.
O que daí vier, apenas será experiência de vida.

O sorriso vale por tudo,
Encanta e encosta qualquer obstáculo ao fundo.
Todas as palavras que direi nesta fase,
Serão soltas.

Podem ter significado ou não
Razões e talvez obsessões de quem veleja sem vento.
Perfuro a terra sem me esconder,
Apenas vou procurando um tesouro,
Que aparecerá na superfície.

J - 2010


Casulo

Vou-me silenciar.
As batidas jamais voltarão a ser iguais.
A ternura torna-se fria
E volto ao desejo de ser criança.
Vou querer deixar de ver.
Não é o mesmo, saber que vimos o paraíso,
E não podermos voltar a ver.

Reacção infantil para protecção do meu ser.
Daquilo que sempre fui visto.
Volto para junto do mar,
Peço novamente ajuda,
Mas não sei até quando ele me vai poder ajudar.
O ser ar materno, não vai poder durar para sempre.

Recosto-me na tua calma.
Sei que as facas que me trespassam,
Virão de todos os caminhos.
Talvez deseje demasiado, coisas que me levam a lado algum.
Só quero um pouco de paz.

Vou procurando sem encontrar
E quando não procurar mais,
Acho que já não sei regressar.
Sumiço.
Pretendo fugir em asas comandadas pelas minhas mãos,
Ouvir a música que me explora o peito.

Marco o meu peito com o vento,
Deambula pelos céus que um dia me irão levar
E as almas moribundas renegam com gritos,
O meu tesouro não encontrado.

J - 2010


Razões de Vida

Que acção posso ter?
Sou apenas mais um,
Neste mundo das oportunidades.
A imaginação nunca pode ter fim
E mesmo o simples,
Pode transformar o sucesso.
Eu não procuro o pódio, eu não procuro o altar.
Procuro-te apenas.
Quero sentir a paz espiritual
Cada vez que me olho ao espelho.
Não reconheço o traço que atravessa a visão.

Servirei num amargo vinho,
Um veneno que me come as entranhas.
Saboreio aquilo que parece a vitória na derrota da pequenez humana.
Levemente vou desejando.
Vou permitindo à minha mente,
A transformação real do meu peito,
Que apenas será um cérebro.

Movo-me entre rios de pensamento,
Sons do céu,
Encantos de sereia
E o fundo do mar, que me vai guardando e protegendo o meu icebergue interior.
Oculta-me a face e o olhar que tendem a atacar na fragilidade.
Contudo, o caminho apenas tem um sentido.
Independentemente da sua realização,
Será sempre em frente.
Olho para trás.
Uma montanha está ultrapassada,
Agora resta chegar a outra.

J - 2010


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Visões

Desafio-me a uma constante batalha e rendição.
Já não sei muito bem o que aceitar,
Baixo os braços do que não devo
E luto constantemente em injustiça.

O sol tórrido que me queima os ossos,
Transforma-se em desejo.
Amputo o meu desejo só porque vi uma luz,
Um suspiro, uma impossibilidade praticamente tangível.

Isolo-me num espaço de natureza.
Oiço sons de todas as espécies e um ruído da tecnologia absurda.
Transformo os ruídos parasitas em medo de retorno
E apenas me quero deixar rodear por animais da pior espécie.

Deixo-me tocar pela água, como o manto cristalino hidratante.
Como sinal da vida em que estou envolto.
Sinto saudades dos teus beijos,
Da tua saliva que me lava de pecados
E me transforma numa pessoa de orgulho,
Bafejando-me uma inocência que só tu conheces.

Vou-me sentido desconcertado na tua ausência.
Talvez seja um sinal do destino,
Transformando a distância em saudade.
Vou sorrindo neste pleno dia,
Sei que estás aí.

O sol que me toca, também te toca
E ficarei para sempre a sentir-te.
No peito, nas mãos e na visão que te procura.
O brilho que reflecte no mar é a tua imagem no meu coração.

J - 2010


Sedento

Em traços de devaneios
Percorro praias sem fim.
Sem qualquer vida.

Vagueio em direcção que termina a linha
No sol abrasador que me arde nos ombros,
Gigantes desafiam-me em batalhas
Na tentativa fugaz de perder a timidez.

Quero realmente sorrir e mostrar um pouco da luz.
Radiar calor tão quente como o sol
E suar em pequenas partidas que se desejam.
Poderá ser ligeiro e leviano…
Mas alimenta.

Serve em direcção às reais conquistas
Que se encaminham para o futuro.
Sementes de saco vazio,
Espalham-se num corpo vermelho que não se entende.
São dúvidas e receios intelectuais,
Do que apenas pode ser vivido, vivendo.

É como a facada no silêncio,
Em que a peça ficará toda alterada
Num fim de deserto.
São apenas palavras.
Faltam as acções e o real sentido,
Os que permitem não duvidar das capacidades humanas.
Salivo, lambo…
Mergulho no mar, para te conquistar.

J - 2010


terça-feira, 8 de junho de 2010

Recusa

Recuso-me a admitir o que vejo ao espelho.
Está diante dos meus olhos e não olho para o fundo.
Eles são poços de momento,
Elevam as águas do passado e transborda o que aí virá.

Rastejo-me pela areia deserta
Remexo em conchas mortas que outrora protegeram alguém.
Vem à viva memória,
Momentos que foram doces e que estão guardados
Denucio-me ao mar e peço ajuda pela minha fraqueza, de ser humano.

Desfaço o meu peito,
Esfrego-o com lâminas frias que entranham o doce sabor do sangue.
Do quarto vejo o céu, vejo o mar e vejo-te a ti por uma janela pequena.
Olho pela janela porque é daí que vejo um mundo,
Cheio de possibilidades e desencontros, na doce vida que já não resta.

Sei bem que o saber, não é tão linear como vida,
Mas a vida é para ser saboreada ao sabor do vento.
Apenas sinto o calor, o frio...
Não oiço a voz que espalha pelo mundo,
E que me faz acordar com o sorriso, que me prende o olhar ao céu.

Resguardo-me.
Faço uma pequena vénia ao mundo
E deixo-o entrar.
De momento, não sou eu que tenho de entrar nele.

J - 2010


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