Transformo o rio num sorriso.
Naquele conforto que fica estagnado
E com a beleza que o passado transforma.
Posso fugir em qualquer direcção.
Subir à montanha gélida
Ou nadar até um mar em crise.
Prefiro parar.
Não para estagnar,
Mas para observar cada centímetro de piso firme,
Para escutar o tempo que for preciso
E ouvir a resposta que vem da alma.
Vou ao fundo várias vezes.
Pesco ideias que a água lava a cabeça.
O desejo é efémero mas preenche páginas brancas e rotas.
Ajudarão de certo em plenas batalhas,
Para a conquista, mesmo sem retorno.
A decisão terá sempre o mesmo peso.
Talvez venha a subir e atirar-me em queda livre.
Quero cair no mar
Mas vivendo o gozo da vida.
Do mar não retornarei,
Mas as memórias não apagam,
Se do meu jeito,
Apregoar que te vi.
J - 2010

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