terça-feira, 22 de junho de 2010

Casulo

Vou-me silenciar.
As batidas jamais voltarão a ser iguais.
A ternura torna-se fria
E volto ao desejo de ser criança.
Vou querer deixar de ver.
Não é o mesmo, saber que vimos o paraíso,
E não podermos voltar a ver.

Reacção infantil para protecção do meu ser.
Daquilo que sempre fui visto.
Volto para junto do mar,
Peço novamente ajuda,
Mas não sei até quando ele me vai poder ajudar.
O ser ar materno, não vai poder durar para sempre.

Recosto-me na tua calma.
Sei que as facas que me trespassam,
Virão de todos os caminhos.
Talvez deseje demasiado, coisas que me levam a lado algum.
Só quero um pouco de paz.

Vou procurando sem encontrar
E quando não procurar mais,
Acho que já não sei regressar.
Sumiço.
Pretendo fugir em asas comandadas pelas minhas mãos,
Ouvir a música que me explora o peito.

Marco o meu peito com o vento,
Deambula pelos céus que um dia me irão levar
E as almas moribundas renegam com gritos,
O meu tesouro não encontrado.

J - 2010


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