terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sem Saída

Tudo sem pressa.
Sem pressa, porque é assim que se quer.
Viver cada passo dado como se fosse o único.
Se cair, ao menos saboreei o passo.

Rápido implica uma desconcentração mesurada.
Uma viagem alucinante sem aproveitar o espaço.
Rodeia-se de um túnel que não vê dos lados.
Vazio e cai redondo no perigo.

Lento, devagar, parar e morrer.
Também não se deseja um fim tão... Parado.
É apenas olhar por olhar.
Conhecer sempre o mesmo caminho, sem conhecer nada de novo.

Aproveito o equilíbrio da balança.
Fico indeciso porque também é preciso
Para alcançar de forma realista e sem grandes riscos.
Agora fico aqui à beira do precipício e espero-te.


J - 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Génio

Génio?
Não o sou.

Gostava que as minhas palavras mudassem o mundo.
Gostava que elas mostrassem o que realmente sinto.

Fazes-me mover e tremer.
Dás-me calor sem tocar.
Sufocas-me nos beijos que imagino
Não quero respirar para me deliciar.

Sinto um aperto na barriga.
Borboletas a esvoaçar num espaço reduzido.
Neste momento tenho o coração do tamanho do mundo.

Apaixonado?
Talvez.
Perto de génio então.
Do que vale criar,
Se não houver emoção.

J - 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Luta

Vou escalar.
Atirar-me de cabeça depois do topo
Levitar-me nos objectivos conseguidos
E mostrar que o sonho vale pela força que tem.

Quero ser sonhador
Inspirador.
Soletrar cada palavra com gosto pela vida
E lutar pelo que é meu.
Pelo que pode ser nosso.

Respirar, inalar e talvez lisonjear a Natureza
Vaguear, procurar e mergulhar no mar de flores.
Sorrir e abrir braços em direcção ao horizonte.
Reconhecer, falar e escutar.

Sei que estás aí.
As armas já estão entregues
Resta batalhar e usar no caminho da paz.

Dá-me a tua mão e espalha a outra.
Outras pessoas corresponderão.
O segredo da união
É o valor de quem te dá a mão.

J - 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Verdade

O doce sabor enche-me o paladar.
Os teus lábios que me passeiam
São encantos desta antiga floresta.

Oiço o teu falar lá no alto
Sinto-me sem pé perto do abismo rochoso.
Vou-te sentido aos poucos
E os meus devaneios surgem a galopar.

Sinto os pés nesta areia
Que outrora foi rocha e fortaleza desta terra.

Perco-me em pensamentos
Do passado que ainda não findou
E que abraço como plano de vida.

Sei lá eu o que o tempo me reserva,
Mas sei que vivendo,
Um dia te conquisto pela verdade que perdura no tempo.

J - 2010


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Voar

Sento-me porque tem de ser
Sento-me porque convém
Sento-me porque é mais correcto
Hoje sento-me porque quero.

Sento-me onde ninguém quer
[cheira mal]
Sento-me junto de criaturas que gosto.
Mal vistas pelas pessoas que as tornam sujas.

Sento-me junto a um cadáver deles.
Vejo a tristeza dos companheiros
O som do barco que chega não os afasta.
Permanecem imóveis e cinzentos como o céu.

Mesmo no meio desta sujeira,
Vejo o carinho.
Pombos que se encostam e limpam as penas um do outro.
Hoje haverá menos um no céu, porque ficou por terra.

Isso faz-me lembrar que é no céu,
Que se encontra a vida.

J - 2010


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