quarta-feira, 9 de junho de 2010

Visões

Desafio-me a uma constante batalha e rendição.
Já não sei muito bem o que aceitar,
Baixo os braços do que não devo
E luto constantemente em injustiça.

O sol tórrido que me queima os ossos,
Transforma-se em desejo.
Amputo o meu desejo só porque vi uma luz,
Um suspiro, uma impossibilidade praticamente tangível.

Isolo-me num espaço de natureza.
Oiço sons de todas as espécies e um ruído da tecnologia absurda.
Transformo os ruídos parasitas em medo de retorno
E apenas me quero deixar rodear por animais da pior espécie.

Deixo-me tocar pela água, como o manto cristalino hidratante.
Como sinal da vida em que estou envolto.
Sinto saudades dos teus beijos,
Da tua saliva que me lava de pecados
E me transforma numa pessoa de orgulho,
Bafejando-me uma inocência que só tu conheces.

Vou-me sentido desconcertado na tua ausência.
Talvez seja um sinal do destino,
Transformando a distância em saudade.
Vou sorrindo neste pleno dia,
Sei que estás aí.

O sol que me toca, também te toca
E ficarei para sempre a sentir-te.
No peito, nas mãos e na visão que te procura.
O brilho que reflecte no mar é a tua imagem no meu coração.

J - 2010


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