Sinto cansaço.
Quero estar num vale verde
Rebolar e deixar-me estar.
As cores vão sendo assimiladas
E vou sentir a paz.
Navego nos meus sonhos de luz
Em destino improvável.
A tinta circula em torno das folhas
Que já estão escritas pelo passado.
Quando retorno,
A realidade dura, demonstra outra paixão.
A verdade seca e ardente
Queima os sonhos de folhas que voam sem destino.
Não quero acordar.
Quero viver.
Independentemente do que a vida pode dar
O presente de todos os dias,
É a marca que nos vai alterando.
Refaço mais uma vez a minha tábua.
Mudarei sempre
Ao ver o mar a estagnar.
Já acordei.
Voltei à vida.
Se me sinto diferente?
Não.
Mas é do sonho que nasceu de novo o querer.
J - 2010

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