terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vale do Sonho

Sinto cansaço.
Quero estar num vale verde
Rebolar e deixar-me estar.
As cores vão sendo assimiladas
E vou sentir a paz.

Navego nos meus sonhos de luz
Em destino improvável.
A tinta circula em torno das folhas
Que já estão escritas pelo passado.

Quando retorno,
A realidade dura, demonstra outra paixão.
A verdade seca e ardente
Queima os sonhos de folhas que voam sem destino.

Não quero acordar.

Quero viver.

Independentemente do que a vida pode dar
O presente de todos os dias,
É a marca que nos vai alterando.

Refaço mais uma vez a minha tábua.
Mudarei sempre
Ao ver o mar a estagnar.

Já acordei.

Voltei à vida.

Se me sinto diferente?
Não.
Mas é do sonho que nasceu de novo o querer.

J - 2010


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