Bestas e demónios que hoje acordam
Acompanham-me na caminhada diária.
A dor podre já a sinto
É prolongada e fétida
Numa obtusa maneira de ser.
Do sol sinto a pele a arder
Come-me a carne
Entranha-se e seca-me os pulmões.
Respiro a toxicidade
E sinto-me envolto na poeira humana.
Abri o meu peito
E respeito a ferocidade.
Lentamente corro com os dedos pelo corpo
Aponto ao céu
E mostro que o caminho é indiferente.
Passo e passo.
Passo a passo.
Passo ou passo?
Caminho, é o que importa.
Coxeando ou correndo eu vou sempre em frente.
O coração que se ajeita em sons de harmonia,
Esquece a razão de quem lhe toca.
Fecho os olhos.
Ceguei.
Oiço a música que amo a dançar pela tua mão.
J - 2010

Sem comentários:
Enviar um comentário