Deito-me nesta lama imunda
E tento lavar o que de pior há em mim.
Estou amarrado ao vento,
Oiço palavras que desconheço,
Nesta imaginação que se perde a cada passo.
Estendo a mão ao chicote que me beija o corpo.
Lentamente vou compreendendo o que me diz,
Mas ainda assim, finjo que não oiço.
O meu olhar vazio é em direcção ao futuro,
Percorrendo a cada vão de escadas, numa queda vertiginosa.
Desfaço-me como um malmequer,
Até ficar apenas com a semente da beleza.
Vou sentindo um leve tocar.
Saio do buraco que sempre vivi
E sem saber, vou morrendo mais um pouco.
É este o destino que pretendo.
Quero dar uma nova vida,
Ainda que tenha de morrer.
As flores aí virão.
O perfume que espalho,
É o canto da Primavera,
Que a sedutora Mãe a mim me encanta.
Vou virar a página…
J - 2010

Sem comentários:
Enviar um comentário