Sozinho.
Perdido neste grande oceano.
Vejo dois barcos num corropio,
Na busca de tesouros e almas rejuvenescidas.
Sementes de perigo, são deixados ao acaso.
Flutuam por rotas alheias,
E destinam-se à conquista do desconhecido.
Suas velas embalam com o vento.
Aventuras adormecidas com o esquecimento,
Procuram a fé da cruz que carregam.
Espalham um suave aroma,
De folhas que harmonizam o peito.
Seus feitos de luz cristalina,
Brotam de uma gelatina.
A esperança renasce com a nova vida.
Semearam o fruto prometido,
E divinamente, envolvem-se num manto de ternura.
Os céus abrem caminho.
A luz rebate-se sobre a via perfeita,
E apregoa-se a boa vinda,
De quem nunca se viu.
A árvore da vida é plantada.
A tua vinda, mexe nos cosmos da história.
Giram-se planetas para te acolher,
Brilham intensas estrelas,
que explodem, para criar vida.
O infinito é só teu.
O mundo fortalece na tua presença.
Os muros caem ao sentir-te,
Perfeito rumo de letras
De um toque divinal dos teus lábios.
Abraço-te, na presença não existente.
Sonho com músicas de embalar
E prometo um mundo melhor.
Levo-me pelas cordas do desejo
Coordenando-me ao vento que me fala.
Atiro o meu destino ao mar,
Para que te entregue, o meu beijo.
A luz cresce no meu peito.
Choro da dor que me arde.
A minha vida vagueia num deserto azul,
Sem caminhos traçados.
Escondo-me na gruta do silêncio.
Eremito.
Escrevo páginas de eternidade,
Espero até as folhas ficarem douradas.
Tomarei o desejo como perdido,
Das juras já esquecidas na inocência do passado.
Abraço-me como te abracei,
No sonhos em que não te encontrei.
Serei o lume, que se apaga antes do fumo?
Esquecerei o que vivi.
Retomarei o rumo de um ritual,
Amarei o próximo, mas não como te amei.
Ajoelho-me perante a terra.
Choro, porque é de ti que me recordo.
Tu és a mais bela das terras.
És o meu elo de ligação espiritual.
És a minha divindade que não se vê.
Recolhe-me em pedaços de vidro.
Atirem-me aos céus!
Gritarei o teu nome e encadearei a quem me olhar.
Dar-me-ão mundo e eu serei apenas amor.
Nenhuma luxúria será mais importante que eu.
Transformo-me.
Serei o que sinto por ti.
A perfeição que se alcança aos olhos de alguns.
O coração que bate,
Com estalidos de brasas escaldantes.
A arma perfeita!
Dou-me!
Enlouqueço!
Oiço a tua voz.
Vejo o brilho.
O mesmo, que me faz lembrar o nascimento.
Vibro em contacto com o mar que me levou.
Sinto-te perto.
Oiço sons de guerra,
Que me crispam a alma.
O veneno que saboreio,
Ataca-me as entranhas.
Estás mais perto.
Duas figuras cristalinas,
Estão esfumaçadas de um negro pesado.
Empunham as suas razões de ódio
E apontam dedos aos céus que os iluminam.
Desnorteio-me da magia excêntrica,
Que me afasta da razão.
Vagueio pelo deserto seco.
De pele áspera e sem vida,
Sem retorno à luz que me guia.
Perdurarei até à última gota,
Agradecendo o sonho que senti.
Da ilusão, acordei enfim.
Revejo-me no tempo ganho
Que outrora era reconhecida.
Toco-me e lembro-me de ti.
O coração fortalece,
Entro no túnel dos sentimentos.
Oiço todos os sons da minha infância.
Agarro-me a tua energia.
Deixo-me embalar para que vá em paz.
O doce gosto na boca,
Revela-me um terno carinho.
A pele macia,
O cetim que me envolvia.
O cheiro que me dá vida,
A sensação de alegria.
Os olhos que me iluminam,
Encaminham-me para a vida.
Afinal, encontrei-te.
Estás sempre aqui.
Apenas tenho de acreditar,
Que o pedaço que dei de mim,
Nos unirá, em harmonia com os céus
E despertará, no dia que mais precisar de ti.
J - 2010

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