segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Escape

Rodeio-me deste mundo morto
E velejo na água absorta.
O silêncio entranha-se na pele,
Respiro-o.
Não o esqueço.
Fujo!

Quero atirar-me para o infinito,
Viver o belo momento e esquecê-lo.
Quero vivê-lo constantemente.
Ganhar, perder e voltar a ganhar.
Quero enraivecer!
Quero cravar as unhas, no amanhã.

Vou explodir!
Eu sei que o farei.
Perderei os meus amigos.
Odiar-me-ão!
Depois posso voltar ao silêncio,
Com gritos de gaivota.

Vejo o brilho…
No fundo e bem centrado.
Será a nova cidade.
Percorro pé ante pé,
Devagar, para evitar armadilhas.
Silencio-me.

Quero-me enganar.
Espreito e oiço os gritos de outrora.
Sinto-me trucidado.
Quero vos ver.
Não sei como voltar.
Lamento pelos erros que cometi.

Ansiarei pela vossa chegada, neste porto de abrigo.
As cruzes subirão sob a água morta,
Serão os pilares que me agarrarão a esta terra.

Bebo a água que levará o meu corpo
E o sal que me enriquece,
Será o que me vai consumir.

J - 2010


Sem comentários:

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.