A podridão do ser,
Embala os sonhos de criança.
Os objectivos, mesmo que puros,
Já estão decompostos à partida.
A pureza com que se imagina,
Esquece a verdade que se encontra adiante.
Os impetuosos, regem-se pelo sonho.
Os amantes, regem-se pela loucura.
A luxúria resplandecente,
Ofusca os que realmente querem ver.
A luz esconde os segredos,
Que perduram na escuridão.
Recorro aos demónios,
Em busca da palavra divina.
Espero pelos meus sonhos
E não uso o meu tempo.
Passo pelos desejos.
Vivo cada momento como meu,
E adoro quando me sento na pedra fria.
Acompanho os mendigos,
Que preferem o convívio da inocência.
O vento frio bate-me na espinha.
Sinto a dor a entrar nos ossos,
Como de quem dorme no mármore.
Fujo para o meu mundo perfeito,
Construído por sonhos e amor.
Para muitos, sou amigo.
Mas no meio disto,
Sou apenas outro mendigo,
De volta, aos sonhos esquecidos.
J - 2010

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