quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Abismo

Em cinzas desfaço o mundo
E do pó cimento a razão.
O relógio não pára,
Mas o coração também não bate.

Rolam ondas das janelas
Caiem secamente no chão,
No vazio de sentimento,
Olhando para o escuro do universo.

O sangue que corre nas minhas veias,
Encherá uma foz imensa.
Mostrará a minha luta das marés,
No sol escaldante, que tece a areia.

Erguem-se torres de água
Derrubam o inferno,
Que arde lentamente o sentimento
Mostrando a obscuridade do desejo.

Só.
Envolvo-me no negro.
Sou o centro do universo
Vagueio por aí...

O mundo é só meu.

J - 2010


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