quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ninguém

Arrependo-me do amor.
Tão perfeito que ele é...
Mas escapou-se por entre as minhas mãos.

Vagueei por caminhos estreitos
Desço os desfiladeiros, atirando-me,
E acordo envolto em merda putrefacta.

Desejo estar diante de todos
Fechado numa caixa de madeira.
Entro no pensamento de cada um
E fujo fisicamente.

Desenrolo a passadeira a cada visitante meu,
Olho de frente para o meu corpo inerte
Sem vida e sem o sorriso de outrora.
Vejo o ar desgastado com que desapareci.

Assim me vejo num buraco
Cavado por mim.
É ainda maior que o medo que eu temi.

As moscas pestilentas, beijam-me os lábios.
Sorrio de olhos em sangue.
Afinal, sou beijado.

No podre do mundo, também mora o carinho.

J - 2010


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